Artes plásticas da Bahia perde umas das suas maiores referências

Edson da Luz capitaneou movimento que agregava artes plásticas, música, dança, fotografia, literatura e cinema
Edison da Luz produziu trabalhos em diversas técnicas, destacando-se a pintura e gravuras - Foto: Gildo Lima / Arquivo A TARDE

Aos 83 anos, o artista plástico Edson da Luz faleceu na madrugada desta sexta feira, em decorrência de uma insuficiência respiratória. O baiano da capital é considerado um dos nomes mais importantes nas artes visuais do nosso estado, tendo despontado como líder do movimento Etsedron (“Nordeste”, escrito de trás para a frente), que agregava artes plásticas, música, dança, fotografia, literatura e cinema, na década de 70.

Foram 60 anos de intensa atividade criativa, nos quais Edison da Luz produziu trabalhos em diversas técnicas, destacando-se a pintura e gravuras, nas quais imprimiu um estilo único e inconfundível, com cores vibrantes e a evocação de um imaginário de estética ligada à natureza e à realidade social do povo baiano e brasileiro, também expressando um universo de caráter místico. Sua arte ultrapassou as fronteiras nacionais

O sepultamento está marcado para este sábado, 2, no Cemitério Bosque da Paz, às 15h.

HISTÓRIA:

Na década de 1970 surgia a Arte Ambiental (Land Art) onde os objetos de arte estavam integrados essencialmente a vida cotidiana. No Brasil, nomes como Frans Krajcber e o Grupo Etsedron se pautaram por intervenções nas paisagens. O Projeto Etsedron – nordeste escrito de trás para a frente – agregava artes plásticas, música, dança, fotografia, literatura e cinema. Edson da Luz, seu idealizador, trabalhando em colaboração com vários outros artistas, escritores e intelectuais – entre eles Marcio Meirelles, Matilde Matos, Lia Robato, Clyde Morgan e Almandrade – buscava produzir obras que, integrando-se à natureza e à realidade social do povo brasileiro, estimulassem os vínculos entre arte e vida.

O projeto provocou polêmica no meio artístico, elogiado por uns e criticado por muitos. Apesar disso, um de seus projetos chegou a receber o maior prêmio da Bienal Nacional de São Paulo de 1973. O grupo buscava a legitimação da identidade cultural sertaneja, que acreditava menosprezada pelo circuito oficial de arte, submisso aos modelos europeu e norte-americano. Afastava-se da folclorização, ainda que, para isso, mergulhasse profundamente nas especificidades do ambiente regional.

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