
A Câmara dos Deputados oficializou nesta quarta-feira a posse de Erika Hilton (PSOL-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CMULHER). O que para a militância identitária soa como um “avanço histórico”, para uma parcela expressiva da sociedade e do próprio movimento feminista materialista, o movimento soa como um passo em direção ao esvaziamento das pautas biológicas e estruturais que definem a existência feminina e seus marcadores biológicos.

Erika perdeu no primeiro escrutíneo e em seguida venceu no voto secreto eletrônico. A ascensão de Hilton ao comando de um colegiado criado para proteger os direitos de um grupo historicamente vulnerável por sua condição sexual levanta uma questão desconfortável, mas necessária: a pauta das mulheres está sendo sequestrada por uma agenda de gênero que, na prática, dilui as demandas específicas das mulheres biológicas. A Mátria, organização sem fins lucrativos que defende o direito das mulheres e meninas brasileiras se posicionou. “Um dia trágico para as mulheres, mais um apagamento”, lamentou.

O Desvio de Foco
A deputada já sinalizou que sua gestão dará prioridade a temas como o “transfeminicídio” e “políticas de gênero”. Embora a violência contra qualquer grupo deva ser combatida, a CMULHER existe para lidar com o abismo salarial, a saúde reprodutiva, o câncer de mama e a violência doméstica que atinge mulheres em sua realidade material.

Ao deslocar o eixo da comissão para a inclusão de identidades trans sob o guarda-chuva do feminismo, corre-se o risco de que os problemas urgentes da mulher brasileira aquela que sofre com a falta de creches e a precariedade do atendimento ginecológico fiquem em segundo plano.
