EUA impõem sanções a brasileiros e firmas ligadas ao PCC

Tesouro americano acusa dois cidadãos e quatro empresas de lavagem de dinheiro para a facção criminosa

O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova e contundente rodada de sanções financeiras mirando o Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida atinge diretamente dois cidadãos brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma corporação em Portugal. O objetivo da ação é asfixiar economicamente a facção, bloqueando o acesso dos envolvidos ao sistema financeiro internacional e congelando quaisquer bens sob jurisdição americana.

Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, o PCC é atualmente a principal ameaça criminosa do Hemisfério Ocidental. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) classifica o grupo como a maior organização criminosa transnacional da América Latina, com tentáculos que se estendem para países como Reino Unido, Turquia e Japão. O foco principal da punição atual está no esquema de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas em solo americano, concentrado especialmente no estado da Flórida.

Quem são os alvos das sanções?

As investigações da força-tarefa americana — que reúne o FBI, o Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Interna — detalharam o papel de cada sancionado:

  • Victor Henrique de Oliveira Shimada: Apontado como o líder do núcleo paulista da estrutura. Ele operava como a ponte entre os operadores do PCC na Flórida e os fornecedores internacionais de entorpecentes. De acordo com as autoridades, a rede de Shimada movimentou mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, utilizando criptomoedas para repatriar o dinheiro ao Brasil.
  • Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira: Parente e colaboradora próxima de Shimada, ela atuava como secretária da organização. Sua função envolvia o apoio logístico e a intermediação na coleta de vultosas quantias em dinheiro vivo para os esquemas de branqueamento de capitais.

Empresas de fachada na mira

O Tesouro americano identificou que Shimada utilizava uma rede de empresas para mascarar as transações financeiras do crime organizado. Foram sancionadas:

  • Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda. (Brasil) – Empresa que já havia sido alvo de investigações em solo brasileiro por lavagem de dinheiro desviado de um clube de futebol em 2025.
  • Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. (Brasil)
  • Wave Construções Inteligentes Ltda. (Brasil)
  • Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. (Portugal)

O impacto prático das medidas

A partir do anúncio, todos os bens, contas bancárias e interesses imobiliários dos sancionados que estejam nos EUA ou sob o controle de cidadãos americanos estão oficialmente congelados. Além disso, empresas e cidadãos dos EUA ficam terminantemente proibidos de realizar negócios com os citados. Até mesmo bancos estrangeiros que insistirem em manter relações financeiras significativas com esse grupo correm o risco de sofrer sanções secundárias severas.

Esta é a terceira grande ofensiva do OFAC contra o PCC, grupo que entrou na lista de organizações sancionadas por Washington ainda em 2021. Enquanto os EUA fecham o cerco financeiro na Flórida — onde seis membros do braço local do PCC já haviam sido presos —, as investigações seguem em curso no Brasil por meio de um forte regime de cooperação internacional entre as autoridades dos dois países.

Veja Também...

Buscar
Se Inscreva no Youtube


© Copyright 2022 Sem Censura TV. Todos os direitos reservados.