
O topo do Judiciário brasileiro vive mais um capítulo de autoproteção institucional que gera indignação. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, decidiu anular e arquivar de forma definitiva a investigação da Polícia Federal que envolvia o ministro Dias Toffoli e o Grupo Master. A medida ocorre em meio a um dos maiores desgastes recentes da Corte, após a PF encontrar evidências de proximidade entre o magistrado e o dono do banco investigado.
A saída de Toffoli da relatoria do caso não foi um ato de punição, mas parte de um arranjo interno para conter a crise. Em reunião convocada por Fachin com todos os ministros, ficou decidido que Toffoli entregaria a relatoria “a pedido”, permitindo que o tribunal divulgasse uma nota oficial afirmando que não há motivos para suspeição ou impedimento. O sorteio eletrônico transferiu o processo para o ministro André Mendonça.
O ponto mais controverso da manobra é a manutenção do poder de Toffoli sobre o destino da investigação. Mesmo fora da posição de relator, o ministro continua apto a votar em todos os recursos e decisões colegiadas que chegarem à Segunda Turma do STF. Críticos apontam que a decisão de Fachin de extinguir a Arguição de Suspeição e o inquérito da PF cria uma “blindagem jurídica”, impedindo que as descobertas policiais tenham consequências práticas contra o magistrado.
A investigação da PF apura fraudes bilionárias e crimes financeiros ligados ao Banco Master. O nome de Toffoli surgiu após a apreensão do celular de Daniel Vorcaro, onde foram encontradas mensagens que levantaram suspeitas de conflito de interesses, dada a atuação de Toffoli como relator de processos de interesse do grupo. Com o arquivamento determinado por Fachin, o foco da investigação agora se restringe aos executivos, mantendo o topo do Judiciário intocado.
