
A companhia divulgou nesta segunda-feira (11) os resultados financeiros referentes aos primeiros três meses do ano, revelando um lucro líquido de R$ 32,6 bilhões. O montante representa um recuo de 7,2% em comparação ao mesmo período de 2025, quando a estatal lucrou R$ 35,2 bilhões.
Apesar da queda no lucro, o faturamento da estatal permaneceu estável em R$ 123,7 bilhões. O resultado final foi pressionado, segundo o relatório, pela redução dos ganhos cambiais e pelo aumento de despesas tributárias e participações governamentais, que somaram R$ 18,1 bilhões no período — uma alta de 10,6% em relação ao ano anterior.
No que tange ao endividamento, a dívida bruta da Petrobras subiu para US$ 72,1 bilhões, um aumento de 10,4% na comparação anual. Já a dívida líquida encerrou o trimestre em US$ 62,1 bilhões. Segundo a empresa, o crescimento reflete as captações realizadas para financiar o atual ciclo de investimentos, que somou US$ 5,1 bilhões no trimestre, com foco principal na exploração e produção no pré-sal.
Do ponto de vista operacional, a estatal apresentou números robustos. A produção média de óleo e gás atingiu a marca recorde de 3,2 milhões de barris por dia, volume 16% superior ao registrado no início de 2025.
As refinarias também operaram em patamares históricos, atingindo 97% de utilização em março, o maior nível desde 2014. A estratégia visa diminuir a dependência de combustíveis importados. A produção de diesel S-10, por exemplo, bateu recorde com 512 mil barris diários, permitindo uma redução de 26% nas importações desse derivado.
O balanço do primeiro trimestre ainda não reflete totalmente a disparada recente do preço do petróleo tipo Brent, que superou os US$ 100 após o início do conflito armado no Irã, em 28 de fevereiro. Entre janeiro e março, a média do barril ficou em US$ 80,61. A expectativa é que o impacto positivo da valorização da commodity nas receitas de exportação apareça com mais clareza nos dados do segundo trimestre.
Mesmo com o recuo no lucro líquido, a Petrobras anunciou a aprovação do pagamento de R$ 9,3 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP). O repasse aos acionistas será realizado em duas parcelas, agendadas para os meses de agosto e setembro de 2026. O diretor financeiro da companhia, Fernando Melgarejo, destacou que os resultados demonstram consistência e que os investimentos realizados estão sendo convertidos em aumento efetivo de produção.
