
Cuidado especializado, terapias, estrutura e suporte para mães atípicas são ainda motivos de sofrimento para muitas famílias. Cuidar de uma criança com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou outras condições que afetam o neurodesenvolvimento requer suporte também para as mães que desproporcionalmente são as mais sobrecarregadas nessa tarefa, muitas vezes negligenciadas pelos genitores dos filhos e principalmente pelo estado.
A Bahia é o estado com a quarta maior população de pessoas diagnosticadas com o transtorno em todo o Brasil, com um contingente de 144.928 pessoas com autismo, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022.

Em todo o estado, Salvador é a cidade com o maior número de pessoas diagnosticadas com autismo, seguida por Feira de Santana e Vitória da Conquista, justamente os maiores municípios baianos.
Dados do IBGE mostram que três em cada 10 pessoas diagnosticadas com autismo no estado, em 2022, eram crianças ou adolescentes de até 14 anos. Ainda segundo o instituto, adolescentes e crianças com autismo frequentavam menos a escola.
Em 2022, mais de 98% das pessoas com idade entre 6 e 14 anos estavam na escola, mas a proporção caía para cerca de 93% entre aquelas com o diagnóstico do TEA.
Apesar dos percalços, há meios disponíveis na rede pública de saúde do estado através dos quais é possível acessar assistência especializada para esta parte da população.

No SUS, não existe um número mínimo ou fixo de sessões garantido. A frequência dos atendimentos também não é padronizada, variando conforme a organização da rede e a disponibilidade dos serviços.
Nas periferias brasileiras, o desafio da maternidade atípica é ainda mais intenso. Elas lidam com a escassez de serviços, a dificuldade de acesso a tratamentos, limitações financeiras e a falta de redes de apoio. Outro agravante é que a maioria dessas mulheres vive em situação de vulnerabilidade social e com baixa renda.
Quase sempre elas assumem sozinhas o cuidado integral dos filhos, como mostra o estudo “Mãe atípica no cuidado da criança com transtorno do espectro autista na perspectiva da enfermagem” (2024). O levantamento realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revela que 40% das participantes têm renda de até dois salários-mínimos. Além disso, 44,6% estão fora do mercado pela impossibilidade de conciliar emprego e cuidados intensivos com os filhos.
