
A saúde na Região Metropolitana de Salvador agoniza sob o peso de dívidas trabalhistas e falta de planejamento. Desde o último dia 09 de fevereiro, a Maternidade Regional de Camaçari opera sob forte restrição, suspendendo atendimentos eletivos para casos de menor complexidade. A decisão da categoria médica veio após o esgotamento de prazos para a regularização de salários que estão em atraso desde o mês de outubro.
A crise é alimentada por um jogo de empurra entre a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e a Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS). Segundo denúncias encaminhadas ao CREMEB e ao Sindimed, os médicos plantonistas estão trabalhando sem remuneração regular, o que tem gerado uma evasão de profissionais e escalas de plantão incompletas.
O colapso da unidade não é um problema local. A Maternidade de Camaçari é uma referência regional que atende gestantes de cerca de nove municípios vizinhos. Com a restrição, o sistema de regulação estadual fica sobrecarregado, empurrando a demanda para outras cidades que já operam no limite da capacidade.
Enquanto o governo estadual e prefeituras locais discutem parcerias, a população sofre com a “desassistência” escancarada. Deputados e conselheiros de saúde criticam a falta de prioridade no repasse de recursos básicos para quem salva vidas.
“Nenhum profissional quer viver sob calotes, trabalhando sem receber seus vencimentos”, afirmou o diretor do CREMEB ao comentar a gravidade da evasão médica na unidade.
