Caos na Saúde: Greve e Salários Atrasados Paralisam Maternidade de Camaçari

Profissionais sem receber desde outubro iniciam restrição de atendimentos e expõem falha na gestão estadual que afeta nove municípios da região
Fachada da Maternidade Regional de Camaçari; imagem ilustra a matéria sobre a paralisação por atraso de salários dos médicos.

A saúde na Região Metropolitana de Salvador agoniza sob o peso de dívidas trabalhistas e falta de planejamento. Desde o último dia 09 de fevereiro, a Maternidade Regional de Camaçari opera sob forte restrição, suspendendo atendimentos eletivos para casos de menor complexidade. A decisão da categoria médica veio após o esgotamento de prazos para a regularização de salários que estão em atraso desde o mês de outubro.

O Calote da FESF-SUS e Sesab

A crise é alimentada por um jogo de empurra entre a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e a Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS). Segundo denúncias encaminhadas ao CREMEB e ao Sindimed, os médicos plantonistas estão trabalhando sem remuneração regular, o que tem gerado uma evasão de profissionais e escalas de plantão incompletas.

  • Meses em atraso: Outubro e novembro de 2025 (com relatos de instabilidade desde dezembro de 2024).
  • Início da restrição: Oficializada em assembleia após o vencimento do prazo de 72 horas dado à gestão.

Impacto Regional: O Problema vai Além de Camaçari

O colapso da unidade não é um problema local. A Maternidade de Camaçari é uma referência regional que atende gestantes de cerca de nove municípios vizinhos. Com a restrição, o sistema de regulação estadual fica sobrecarregado, empurrando a demanda para outras cidades que já operam no limite da capacidade.

Falhas de Gestão e Crítica Política

Enquanto o governo estadual e prefeituras locais discutem parcerias, a população sofre com a “desassistência” escancarada. Deputados e conselheiros de saúde criticam a falta de prioridade no repasse de recursos básicos para quem salva vidas.

“Nenhum profissional quer viver sob calotes, trabalhando sem receber seus vencimentos”, afirmou o diretor do CREMEB ao comentar a gravidade da evasão médica na unidade.

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