
O clima pesou na sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quarta-feira (25). O que deveria ser um rito de julgamento técnico sobre os acusados de mandar assassinar Marielle Franco e Anderson Gomes transformou-se em um palco de desabafos e expressões agressivas por parte do ministro Alexandre de Moraes. Após uma falha técnica impedir a exibição de uma apresentação no telão da Corte, o ministro não escondeu a irritação e disparou frases que chocaram quem acompanhava a transmissão.
Visivelmente incomodado com o imprevisto, Moraes ironizou a situação, mas logo subiu o tom. Ao retomar a palavra, afirmou categoricamente: “Querem me derrubar faz tempo”. Não satisfeito, o ministro completou a fala com uma expressão que muitos interpretaram como uma ameaça direta: “Mas cabeças vão rolar”.
A declaração caiu como uma bomba nas redes sociais e nos grupos de oposição. Embora aliados do ministro tentem emplacar a narrativa de que se tratou de uma “metáfora irônica” ou um comentário sobre o rigor contra o crime organizado, o peso institucional de tais palavras dentro da mais alta Corte do país é visto por juristas e críticos como inaceitável.
Enquanto Moraes disparava suas “metáforas”, o restante do plenário manteve um silêncio constrangedor. Para os analistas políticos, a audácia de Moraes em falar abertamente sobre tentativas de “derrubá-lo” durante um julgamento de homicídio mostra o nível de politização que tomou conta do Supremo. Se as cabeças que “vão rolar” são as dos criminosos ou as de seus adversários políticos, o tempo e os próximos inquéritos dirá.
O que fica claro é que, para Alexandre de Moraes, o processo legal parece estar dando lugar ao desabafo pessoal e ao uso da toga como escudo e espada.
Assista ao momento da declaração:
