
O Ministério Público Federal (MPF) resolveu “puxar o freio de arrumação” na gestão do prefeito Antônio Gregório (PSD), em São Felipe, no Recôncavo baiano. Através do programa federal “Destrava”, o órgão instaurou um inquérito civil para investigar o abandono de obras públicas que deveriam estar servindo à comunidade, mas que hoje não passam de esqueletos de concreto e prejuízo acumulado.
A portaria, assinada pelo procurador da República Leandro Bastos Nunes, não deixa margem para manobras: a prefeitura tem exatos 30 dias para informar se pretende concluir as intervenções com recursos próprios ou se vai continuar assistindo ao deterioramento do patrimônio público financiado pela União.
Enquanto a prefeitura se cala, o MPF quer saber onde houve omissão. Foi solicitado à Diretoria de Gestão, Articulação e Projetos Educacionais (DIGAP) um relatório técnico para verificar se o município falhou propositalmente na execução dos projetos. Caso a negligência seja confirmada, o caso pode evoluir para uma Tomada de Contas Especial no Tribunal de Contas da União (TCU).
São Felipe não é um caso isolado. O MPF também apertou o cerco em outras cidades como Nazaré e Baianópolis, mostrando que o cenário de “obras fantasmas” ou paralisadas é uma epidemia que drena o bolso do brasileiro. Segundo levantamentos recentes, a Bahia acumula centenas de obras nessas condições, totalizando um rombo estimado em R$ 1,5 bilhão em recursos já investidos sem qualquer retorno social.
