Em uma fala sem filtros à rádio Baiana FM, o ex-presidiário dos R$ 51 milhões detalhou como opera para redesenhar a chapa do governo. Geddel age como o verdadeiro "dono da banca", oferecendo cargos e tentando "rifar" o atual vice para acomodar novos aliados.
A influência de Geddel Vieira Lima no governo de Jerônimo Rodrigues (PT) não é mais apenas um rumor de bastidor; é uma realidade confessada pelo próprio articulador. Em uma entrevista reveladora concedida à Baiana FM, o homem que protagonizou o escândalo das malas de R$ 51 milhões deixou claro que é ele quem dá as cartas na montagem da chapa governista para as próximas eleições.
Com a desenvoltura de quem nunca se afastou do poder, Geddel utilizou os microfones da emissora para detalhar uma operação política que mistura oferta de cargos, mudanças de partido e o descarte de aliados atuais em nome de um projeto maior de manutenção do PT no Palácio de Ondina.
O “Balcão de Negócios” na Baiana FM
No áudio da entrevista, Geddel descreve um encontro que teve com o senador Angelo Coronel (PSD) na Praia do Forte, onde apresentou uma proposta para levar o parlamentar para a base de apoio do governo sob a bandeira do seu partido, o MDB.
A “oferta” detalhada por Geddel na rádio incluiu:
- Promessa de votação recorde: Geddel garantiu a Coronel que ele seria o deputado federal mais votado pelo MDB.
- Vaga na chapa majoritária: O “homem da mala” ofereceu um espaço para o futuro, sugerindo o nome de Diego Coronel para a vice-governadoria.
- A “rifa” de Geraldo Júnior: Para abrir esse espaço, Geddel admitiu na entrevista que buscaria uma “situação de conforto” para o atual vice-governador, Geraldo Júnior (MDB), sinalizando que ele poderia ser retirado da chapa para acomodar os novos acordos.
O Padrinho que Constrange
A naturalidade com que Geddel fala em nome do governo Jerônimo na Baiana FM é o que mais choca. Ele se apresenta como o garantidor de espaços e o estrategista que busca “sustentação ao governador”.
Embora tenha afirmado que Angelo Coronel declinou da proposta por já estar comprometido com outro projeto, a fala de Geddel expõe as vísceras do poder na Bahia: um governo que se diz “de esquerda e popular”, mas que tem suas diretrizes traçadas por um personagem símbolo da velha política de bunker e malas de dinheiro.
Conclusão: Quem manda em Ondina?
A entrevista à Baiana FM levanta uma pergunta incômoda: Jerônimo Rodrigues governa a Bahia ou apenas executa o que Geddel Vieira Lima planeja no rádio? A presença do ex-ministro como porta-voz e articulador principal da chapa mostra que o PT baiano não tem pudor em abraçar o passado para tentar garantir o futuro.