
A influência de Geddel Vieira Lima no governo de Jerônimo Rodrigues (PT) não é mais apenas um rumor de bastidor; é uma realidade confessada pelo próprio articulador. Em uma entrevista reveladora concedida à Baiana FM, o homem que protagonizou o escândalo das malas de R$ 51 milhões deixou claro que é ele quem dá as cartas na montagem da chapa governista para as próximas eleições.
Com a desenvoltura de quem nunca se afastou do poder, Geddel utilizou os microfones da emissora para detalhar uma operação política que mistura oferta de cargos, mudanças de partido e o descarte de aliados atuais em nome de um projeto maior de manutenção do PT no Palácio de Ondina.
No áudio da entrevista, Geddel descreve um encontro que teve com o senador Angelo Coronel (PSD) na Praia do Forte, onde apresentou uma proposta para levar o parlamentar para a base de apoio do governo sob a bandeira do seu partido, o MDB.
A “oferta” detalhada por Geddel na rádio incluiu:
A naturalidade com que Geddel fala em nome do governo Jerônimo na Baiana FM é o que mais choca. Ele se apresenta como o garantidor de espaços e o estrategista que busca “sustentação ao governador”.
Embora tenha afirmado que Angelo Coronel declinou da proposta por já estar comprometido com outro projeto, a fala de Geddel expõe as vísceras do poder na Bahia: um governo que se diz “de esquerda e popular”, mas que tem suas diretrizes traçadas por um personagem símbolo da velha política de bunker e malas de dinheiro.
A entrevista à Baiana FM levanta uma pergunta incômoda: Jerônimo Rodrigues governa a Bahia ou apenas executa o que Geddel Vieira Lima planeja no rádio? A presença do ex-ministro como porta-voz e articulador principal da chapa mostra que o PT baiano não tem pudor em abraçar o passado para tentar garantir o futuro.
