
A cerimônia de entrega de ambulâncias do PAC, realizada nesta sexta-feira (6) em Salvador, serviu de pretexto para um verdadeiro show de horrores ideológico e campanha eleitoral antecipada. O que deveria ser um ato administrativo transformou-se em um palanque partidário onde a distinção entre Estado e Partido dos Trabalhadores deixou de existir.
O momento mais revelador do evento foi protagonizado pelo senador Otto Alencar (PSD). Visto por alguns eleitores de centro como uma alternativa moderada, Otto jogou a cautela para o alto e fez uma confissão constrangedora ao dirigir-se a Lula.
Ao tentar demonstrar lealdade canina ao chefe do Executivo, o senador disparou:
“Às vezes o senhor brinca comigo dizendo que eu sou do PSD, mas na verdade eu sou do PT.”
Ainda que tenha tentado consertar a frase logo em seguida dizendo que “abraça o PT”, o ato falho ecoou como uma confirmação do que a Bahia já sabe: o PSD local não passa de um “puxadinho” do petismo. Não satisfeito, Otto atacou a Constituição brasileira ao classificar o impeachment legítimo de Dilma Rousseff como uma “conspiração”, reescrevendo a história para agradar a plateia.
O senador ainda usou o microfone oficial para fazer campanha aberta para 2026, lançando a reeleição de Jerônimo e as candidaturas de Rui Costa e Jaques Wagner ao Senado, em flagrante desrespeito à legislação eleitoral.
Se Otto foi o soldado fiel, Lula encarnou o “messias” terreno. Em um discurso recheado de autoelogios, o petista chegou a afrontar a sensibilidade religiosa de milhões de brasileiros. Ao falar sobre seus 80 anos e a vontade de permanecer no poder, Lula disparou uma frase que beira a heresia:
“Eu não quero ir pro céu. Eu quero ficar aqui… Deixa eu aqui nesse martírio. Esse inferno da terra, eu gosto tanto dele que eu não quero ir pro céu.”
Enquanto o brasileiro real sofre com a dengue, a insegurança e a inflação dos alimentos, o presidente diz “gostar” do inferno que o país se tornou, desde que ele esteja no comando.
O evento seguiu o roteiro clássico da esquerda:
O evento desta sexta-feira provou que o PT e seus “satélites”, como o PSD de Otto, não estão preocupados em governar, mas em perpetuar um projeto de poder. As ambulâncias foram entregues, mas o preço cobrado foi assistir a um senador da República admitir que sua legenda é uma farsa e um presidente dizer que prefere o poder terreno ao céu.
