Caminhoneiros anunciam greve para quinta-feira (19), após alta desenfreada do Diesel

Aumento no preço do Diesel na Bahia ultrapassa 40% em 8 dias
(Miguel Schincariol/Getty Images)
Greve de caminhoneiros pode acontecer nesta quinta-feira (19) Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O setor de transportes no Brasil vive dias de tensão. Lideranças como Wallace Landim, o “Chorão”, presidente da Abrava – Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, confirmaram que a greve nacional pode começar ainda nesta semana, possivelmente nesta quinta-feira (19). Nesta quarta-feira (18), lideranças dos caminhoneiros autônomos intensificaram as articulações para uma paralisação nacional, motivada pela escalada nos preços dos combustíveis.

Enquanto o aumento médio no país gira em torno de 19%, a Bahia enfrenta um cenário isolado e ainda mais crítico: reajustes que já ultrapassam os 40% em apenas 8 dias, chegando a R$ 5 reais por m³. Esse é o valor que o produto é comercializado diretamente no local da refinaria. A distribuidora retira o combustível no ponto de produção. Nos postos em Salvador, o preço do Diesel chefa a custar R$ 7,43 para o consumidor na bomba.

Os dados mais recentes da Refinaria de Mataripe, localizada em São Francisco do Conde (BA), revelam a gravidade do cenário para o setor de transportes. O Diesel S-10, combustível essencial para a logística moderna, atravessa uma sequência de aumentos que pressiona o custo do frete em todo o estado.

Veja levantamento do preço por m³:

  • 4 de março: R$ 3,56
  • 5 de março: R$ 4,18
  • 10 de março: R$ 4,18
  • 12 de março: R$ 4,99

No mesmo período do ano passado, em março, o maior reajuste foi de R$ 3,71

Essa variação representa um aumento acumulado de aproximadamente 40,3% desde o valor inicial citado. O salto final, que levou o preço de R$ 4.181,60 para R$ 4.996,10, isoladamente, significa um reajuste de quase 19,5% em uma única atualização.

A política de reajustes constantes da Acelen é o principal combustível para a mobilização dos caminhoneiros na Bahia. Com o preço de faturamento encostando na casa dos R$ 5,00 por litro na refinaria (sem contar impostos, margem da distribuidora e do posto), o valor final na bomba para o consumidor soteropolitano e do interior já ultrapassa a barreira dos R$ 7,00, tornando a operação de transporte autônomo financeiramente insustentável.

Veja o que a Acelen disse para a SemCensuraTV sobre os aumentos

“A Refinaria de Mataripe informa que os preços dos seus produtos para as distribuidoras seguem critérios de mercado que levam em consideração variáveis como custo do petróleo, que é adquirido a preços internacionais; câmbio e frete, podendo variar para cima ou para baixo. A empresa possui uma política de preços transparente, amparada por critérios técnicos, em consonância com as práticas internacionais de mercado.”

Procon-BA notificou a empresa para prestar esclarecimentos

“O órgão notificou a Refinaria de Mataripe S.A. (Acelen) para prestar esclarecimentos sobre a política de preços praticada nos últimos 30 dias. Além de justificativas econômicas para o impacto da alta internacional do petróleo no mercado nacional, o PROCON – BA solicitou que a refinaria apresente outros documentos que comprovem os custos de aquisição e a formação de preços. A notificação exige que a empresa apresente, no prazo de cinco dias, informações detalhadas sobre os reajustes aplicados na gasolina comum, gasolina aditivada, diesel comum, diesel S-10 e etanol.”

Procon
Consumidor deve denunciar irregularidades em postos de gasolina

O descumprimento das notificações poderá acarretar em sanções administrativas, multas e outras consequências legais, conforme previsto na Lei nº 8.078/90 e no Decreto nº 2.181/97 do CDC. A operação “De Olho no Preço” segue em andamento, com a análise dos documentos e lavratura de processos administrativos.

Greve Geral: “A conta não fecha”

Diferente de movimentos anteriores com pautas políticas, a mobilização atual é descrita como uma “luta pela sobrevivência”. Os caminhoneiros alegam que o valor do frete está defasado e que o custo do diesel já consome quase toda a margem de lucro das viagens. A orientação das associações é que os motoristas cruzem os braços em casa ou em postos, evitando bloqueios de rodovias para fugir de multas pesadas.

Resumo das Reivindicações:

  1. Redução imediata do Diesel: Revisão da política de preços e maior transparência da Acelen e Petrobras.
  2. Piso Mínimo do Frete: Fiscalização rigorosa para garantir que o valor pago cubra os custos do combustível.
  3. Subsídios: Ampliação do programa de subvenção (atualmente em R$ 0,32/litro), considerado insuficiente pela categoria.

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