Cerco ao fisco: Moraes manda quebrar sigilo de servidores da Receita e impõe tornozeleira

Suspeitos de vazar dados de ministros do STF e do PGR, quatro servidores são afastados e proibidos de deixar o país em nova operação da Polícia Federal.
Ministro Alexandre de Moraes ajusta a gravata e sorri; imagem ilustra a decisão de quebra de sigilo de servidores suspeitos de vazar dados do STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão e a imposição de medidas cautelares rigorosas contra quatro servidores da Receita Federal e do Serpro. A operação, realizada nesta terça-feira (17), atingiu alvos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Os investigados são suspeitos de realizar “diversos e múltiplos acessos ilícitos” aos sistemas do Fisco para obter informações fiscais e bancárias sigilosas de ministros da Corte, de seus familiares e também do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet.

Identidade dos investigados e medidas impostas

A Corte divulgou oficialmente os nomes dos quatro servidores públicos que estão sob investigação:

  • Luiz Antônio Martins Nunes
  • Luciano Pery Santos Nascimento
  • Ricardo Mansano de Moraes
  • Ruth Machado dos Santos

Contra eles, Moraes determinou um pacote de sanções imediatas que inclui:

  1. Afastamento cautelar das funções públicas e proibição de acesso aos prédios da Receita Federal e do Serpro.
  2. Uso de tornozeleira eletrônica com recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana.
  3. Cancelamento de passaportes (brasileiros e estrangeiros) e proibição de deixar o país.
  4. Quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático para rastrear possíveis pagamentos ou repasses dessas informações.

O contexto da investigação

A investigação ganhou força após a Receita Federal detectar um “bloco de acessos” aos dados das autoridades sem qualquer “justificativa funcional”. O gabinete de Moraes apurou que dados de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e de familiares de outros ministros foram acessados indevidamente.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou que a divulgação “seletiva e fragmentada” desses dados poderia ser usada para criar “suspeitas artificiais” contra os magistrados, especialmente em meio a reportagens recentes sobre conexões entre parentes de ministros e instituições financeiras, como o Banco Master.

Entidades como a Unafisco Nacional manifestaram preocupação com a gravidade das medidas cautelares em uma fase preliminar, alertando para o risco de servidores serem transformados em “bodes expiatórios” antes da conclusão das investigações.

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