Promessa sem fim: 17 anos da ponte Salvador-Itaparica e o fracasso de três gestões do PT

Jerônimo Rodrigues admite em entrevista que não entregará a obra, empurrando para o próximo sucessor um projeto que já consumiu milhões e ainda não saiu da fase de "sondagem".
Governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, gesticula durante entrevista; imagem ilustra a matéria sobre os atrasos na Ponte Salvador-Itaparica.

Em março de 2026, a Bahia celebra um aniversário incômodo: os 17 anos da primeira promessa oficial para a construção da Ponte Salvador-Itaparica. Anunciada em 2009, ainda no primeiro mandato de Jaques Wagner, a obra tornou-se o maior símbolo da ineficiência e das promessas vazias das gestões petistas no estado.

Após Jaques Wagner e Rui Costa passarem seus mandatos inteiros sem colocar um pilar na água, o atual governador Jerônimo Rodrigues jogou a toalha. Em entrevista recente, Jerônimo admitiu o que os baianos já temiam: ele não vai entregar a ponte. Seguindo a tradição de seus antecessores, o governador afirmou que sua missão é apenas “avançar” e que caberá a outro gestor a inauguração.

A linha do tempo da ilusão

O projeto, que deveria ser a redenção econômica da Ilha de Itaparica e do Baixo Sul, transformou-se em uma colcha de retalhos de adiamentos:

  • 2009 (Jaques Wagner): A ponte é anunciada como prioridade absoluta.
  • 2014-2022 (Rui Costa): O projeto é reformulado, o contrato com o consórcio chinês (CRCC e CCCC) é assinado em 2020, mas a obra não começa sob a justificativa da pandemia e do reequilíbrio financeiro.
  • 2023-2026 (Jerônimo Rodrigues): A obra segue na fase de sondagem geológica. O custo estimado, que era de R$ 5,3 bilhões, já ultrapassa os R$ 9 bilhões devido à inflação dos insumos e atrasos.

O jogo de empurra e o custo do atraso

Enquanto a ponte não sai do papel, o sistema de Ferry-Boat opera no limite, com filas quilométricas e embarcações sucateadas, punindo diariamente quem precisa atravessar a Baía de Todos-os-Santos. A admissão de Jerônimo de que não entregará a obra é vista por analistas políticos como uma estratégia para blindar sua candidatura à reeleição de uma promessa que ele sabe que não cumprirá.

Atualmente, o consórcio chinês alega que a complexidade do solo marinho e a necessidade de novos aportes estaduais são os motivos da lentidão. Na prática, a ponte continua sendo uma “obra de PowerPoint” usada em todas as campanhas eleitorais desde 2010.

GovernadorStatus da ObraResultado
Jaques WagnerPromessa e EditalZero pilares
Rui CostaAssinatura de ContratoZero pilares
Jerônimo RodriguesSondagem GeológicaZero pilares

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