Sem Censura TV

Petrobras eleva querosene de aviação em 7,2% e pressiona custo das aéreas

A estatal elevou o preço médio do querosene de aviação a partir deste domingo, 1º de novembro de 2026. A alta se soma a sucessivas variações e acumula forte pressão sobre os custos das aéreas, que apontam o combustível como principal despesa operacional.
Fachada da Petrobras, empresa que elevou o preço do querosene de aviação em 7,2%.

A Petrobras aumentou em 7,2% o preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, em reajuste que passou a valer neste domingo, 1º de novembro de 2026. Na prática, o litro ficou R$ 0,45 mais caro em relação ao mês anterior. Trata-se do quarto aumento consecutivo promovido pela estatal, em um cenário em que o combustível das companhias aéreas já vive forte pressão.

Segundo a própria companhia, a decisão reflete a persistência da alta das cotações internacionais do querosene, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Também pesa a redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, consequência do conflito entre os dois países. Os preços cobrados das distribuidoras são atualizados sempre no primeiro dia de cada mês, o que torna o reajuste previsível para o mercado.

Uma sequência de altas e quedas

O histórico recente mostra forte oscilação. Em junho e julho, a estatal havia reduzido o QAV em 14,2% e 14,4%, respectivamente. A partir de agosto, o movimento virou: alta de 1,9%, depois 13,9% em setembro e 11,7% em outubro, até chegar ao reajuste de novembro. Desde 1º de março, logo após o início da guerra no Oriente Médio, o preço médio do combustível acumula alta de 90%, segundo dados da Abear, associação que representa as companhias aéreas. Para acompanhar outras variações de preço, veja a cobertura anterior sobre o querosene de aviação.

Custo do querosene de aviação e efeito para o passageiro

Ainda segundo a Abear, antes da guerra o combustível respondia por cerca de 30% a 32% das despesas operacionais do setor. Com a alta do petróleo e do querosene, essa fatia já ultrapassou 45%. Em agosto, a entidade informou que Latam, Gol e Azul gastaram R$ 5,2 bilhões a mais do que o previsto em 2026 com combustível. Para conter os custos, as empresas reduziram a oferta de voos e retiraram aeronaves de maior porte de circulação em alguns períodos do ano, o que tende a afetar o consumidor final.

O pano de fundo é a disparada das cotações após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que provocaram restrições à navegação no golfo Pérsico, sobretudo no Estreito de Ormuz. Antes da guerra, cerca de 20% da oferta global de petróleo passava por essa região. Na sexta-feira, 30 de outubro, o Brent fechou em US$ 113 por barril, patamar que mantém o combustível caro.

O argumento da estatal e os pontos de atenção

A Petrobras sustenta que o querosene de aviação segue uma fórmula paramétrica prevista em contrato, que amortece oscilações de curto prazo e produz reajustes mais moderados do que os observados no exterior. Com isso, a empresa afirma que seu preço permanece competitivo. Chama atenção, porém, que o discurso de competitividade convive com uma alta acumulada de 90% desde março, e que a nota divulgada não detalha os parâmetros dessa fórmula. Para quem depende do combustível para operar, a falta de clareza sobre o cálculo dificulta a avaliação do reajuste.

Vale lembrar que a Petrobras responde por cerca de 85% da produção nacional de querosene de aviação, embora o mercado brasileiro seja aberto a outros produtores e importadores. Na avaliação de quem acompanha o setor aéreo, a dependência de referências internacionais em um momento de crise cobra um preço alto de empresas e passageiros. O programa retomado em setembro, que permite às distribuidoras parcelar os reajustes em três parcelas mensais, suaviza o impacto imediato, mas não altera a origem do aumento.

Diante de quatro altas seguidas e de um acumulado que já supera 90%, a estatal tem o dever de explicar com transparência como sua fórmula de preços se traduz em benefício real para o consumidor. Enquanto isso, o custo do querosene segue se espalhando pela cadeia do transporte aéreo e pressionando o bolso de quem voa.

Veja Também...

Buscar
Se Inscreva no Youtube


© Copyright 2022 Sem Censura TV. Todos os direitos reservados.