
A música brasileira perdeu nesta terça-feira (13 de outubro de 2026) um de seus nomes mais marcantes. O cantor baiano Netinho, ícone histórico do axé music, morreu aos 60 anos em um hospital de Salvador. O artista enfrentava uma longa e corajosa batalha contra um câncer do sistema linfático (linfoma não Hodgkin), quadro que acabou evoluindo para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
A notícia gera grande comoção entre fãs, amigos e grandes nomes da música que acompanharam a trajetória de um dos precursores da popularização do axé no Brasil.
Nascido em 12 de julho de 1966 na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, Netinho se mudou para Salvador aos 10 anos de idade. Ganhou o primeiro violão de sua mãe aos 14 anos e, embora tenha chegado a cursar Engenharia Civil aos 16, a paixão pela música falou mais alto, tocando profissionalmente em bares da capital baiana.
Sua voz marcou o carnaval e a cultura das décadas de 1990 e 2000, com hits que embalaram gerações, especialmente a canção “Milla”, hino absoluto em todo o país, e sucessos como “Beijo na Boca”. Como empresário e incentivador da música, o artista também chegou a abrir um estúdio de gravação de ponta no Rio de Janeiro, utilizado por ícones como Milton Nascimento, Gilberto Gil e Maria Bethânia, além de criar um selo musical voltado ao lançamento de novos talentos baianos.
A saúde de Netinho foi duramente testada nos últimos anos. Em 2013, o cantor sobreviveu a três acidentes vasculares cerebrais (AVCs) que causaram a perda momentânea de sua voz, o obrigando a enfrentar um longo processo de reabilitação e a ficar afastado do Carnaval por quatro anos.
Além da carreira artística, Netinho também trilhou caminho na vida pública recente. Apoiador declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele se candidatou a deputado federal pela Bahia nas eleições de 2022, pelo PL. Recebeu cerca de 31 mil votos, não conseguindo se eleger, mas figurando como suplente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nos últimos meses de sua vida, diante do retorno do câncer e das dificuldades do tratamento, Netinho demonstrou resignação e gratidão pela sua história. Segundo a assessoria de imprensa do artista, ele estava tranquilo.
Em uma de suas últimas declarações, Netinho deixou uma mensagem emocionada aos fãs: “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte.”
O corpo do artista será cremado em uma cerimônia que, segundo informações iniciais, terá velório restrito a familiares e amigos próximos. O legado de Netinho, entretanto, continuará vivo nos trios elétricos e na memória do Carnaval de Salvador.
