Cúpula da Bamor é denunciada pelo Ministério Público por tortura, extorsão e organização criminosa

Presidente, vice e diretores da maior torcida organizada do Bahia estão presos preventivamente. Investigações apontam para agressões e roubos dentro da própria sede.
Montagem com dois homens de barba. À esquerda, homem com boné e camisa branca da Bamor com detalhes em azul e vermelho, com o punho cerrado. À direita, homem com camisa polo branca, também com escudo da Bamor.

O cerco fechou contra a diretoria da Bamor, principal torcida organizada do Esporte Clube Bahia. O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), protocolou uma denúncia contra dez integrantes da cúpula da facção por organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça.

Entre os denunciados estão os principais líderes do grupo, como o presidente Matheus Pires Castro, o vice-presidente Luciano da Silva Venâncio, o diretor-geral Gabriel Pereira Silva, além de outros sete membros (incluindo até mesmo um policial militar apontado como integrante da torcida). Atualmente, os acusados encontram-se presos preventivamente no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.

O “Tribunal” na sede da torcida

A denúncia é resultado da “Operação Inquisição”, que revelou métodos brutais praticados pelos dirigentes. Segundo as promotoras responsáveis pelo caso, a Bamor funcionava com uma estrutura criminosa estável e divisão de funções claras para punir e extorquir pessoas, inclusive os próprios associados.

O modus operandi dos crimes ocorria sob a falsa premissa de resolver questões internas da torcida:

  • As emboscadas: Membros e convidados eram chamados à sede oficial da Bamor para “prestar esclarecimentos” sobre assuntos variados.
  • Sessões de tortura: Ao chegarem no local, as vítimas eram submetidas a agressões físicas severas, envolvendo o uso de armas brancas, como martelos e tacos de beisebol.
  • Extorsão e Roubo: Além da violência física, o grupo roubava pertences pessoais. Em um dos casos relatados pelo MP-BA, uma vítima teve o celular subtraído e os criminosos realizaram transferências bancárias via Pix para outras contas, configurando o crime de extorsão.

Danos morais milionários

Diante da gravidade das acusações e do impacto da violência generalizada no ambiente esportivo, o Ministério Público também solicitou à Justiça o pagamento de R$ 2 milhões em indenização por danos morais coletivos.

O caso reacende o urgente debate sobre a segurança e a impunidade envolvendo torcidas organizadas no país. A sede da Bamor encontra-se fechada, e a expectativa é que a Justiça também determine a revisão e a imposição de regras muito mais rígidas ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pelo grupo em anos anteriores.

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