
A vereadora Alana Passos (PL) pediu nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, que o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal do Rio de Janeiro analise a conduta do vereador Rick Azevedo (Psol). Em ofício ao presidente da Casa, Carlo Caiado, a parlamentar afirmou que o episódio representa “uma clara, uma explícita manifestação de misoginia”. O caso ocorreu em um bate-boca no plenário, no fim de uma sessão, no qual o colega a chamou de “fracassada” e “minúscula”.
O embate começou durante um discurso de Rick Azevedo sobre o fim da escala 6×1. Fundador do movimento Vida Além do Trabalho, que defende o fim dessa jornada, o vereador passou a fazer críticas ao PL e, em seguida, direcionou suas falas diretamente a Alana Passos. Ele afirmou que a colega precisaria “fazer uma campanha melhor” para se eleger deputada federal, e disse que ela ficaria “brigando sozinha, brigando com o inimigo invisível”.
Rick Azevedo também acusou a vereadora de hipocrisia e cinismo e questionou a posição dela sobre os direitos das famílias trabalhadoras. A discussão prosseguiu após o encerramento da sessão. Um vídeo registra o vereador de pé, entre as bancadas do plenário, gesticulando em direção a Alana Passos.
No ofício, a vereadora sustenta que divergências políticas “foram conduzidas ao terreno pessoal”. Segundo ela, a “transformação do contraditório parlamentar em ataques pessoais e manifestações depreciativas contra outro representante eleito” não pode ser tratada como simples manifestação de divergência ideológica. Alana Passos também aponta a repetição das ofensas como um dos motivos do pedido. Em outra ocasião, Rick Azevedo publicou um vídeo em que a chamou de “porca” e “escravocrata”.
Na mesma sessão, Alana Passos apresentou na tribuna denúncias de possível assédio eleitoral contra servidores da Prefeitura do Rio. Com base em relatos divulgados publicamente, ela afirmou que professores estariam sendo pressionados a comparecer a um show do cantor Diogo Nogueira com finalidade política. A vereadora anunciou a coleta de assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o caso.
Ao defender a iniciativa, a parlamentar declarou: “Eu, como vereadora, não posso ficar omissa a essa situação”. Ela acrescentou que os parlamentares precisam trabalhar e mostrar para que vieram. Com o pedido formalizado, o encaminhamento do caso no Conselho de Ética dependerá da presidência da Câmara Municipal, e a análise sobre a quebra de decoro caberá ao colegiado.
