
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reagiu neste domingo, 1º, às declarações do ministro Guilherme Boulos (Psol), da Secretaria-Geral da Presidência, que tentou responsabilizar o governo paulista pela alta do diesel prevista para 2027. Em nota oficial, Tarcísio acusou o ministro do governo Lula de usar informações distorcidas para fazer ataques políticos e afirmou que quem ocupa cargo público deve informar a população com seriedade.
Segundo o governador, Boulos deixou de mencionar que o reajuste do ICMS sobre os combustíveis foi aprovado de forma colegiada e por unanimidade no Conselho Nacional de Política Fazendária. Na avaliação de Tarcísio, a omissão altera o sentido do debate, já que a decisão não foi tomada por um único governo estadual, e sim por um colegiado que reúne todas as unidades da federação.
O conselho é presidido pelo Ministério da Fazenda, órgão do governo federal, e é composto por representantes dos 26 estados e do Distrito Federal. Entre eles estão governadores petistas, o que torna difícil sustentar que a elevação seja responsabilidade exclusiva de São Paulo. Como a alta atinge todo o território nacional sob as mesmas diretrizes, o aumento do custo do combustível alcança o consumidor de Norte a Sul, inclusive em estados como Piauí, Bahia e Ceará.
Tarcísio também comparou a política tributária paulista com a de estados administrados pelo PT. Ele afirmou que, nos últimos quatro anos, São Paulo manteve congelada em 18% a alíquota modal do ICMS, uma das menores do país, enquanto governos petistas elevaram o imposto para 22,5% no Piauí, 20,5% na Bahia e 20% no Ceará. Os números foram apresentados pelo governador como base para a crítica à condução fiscal dos adversários.
Segundo Tarcísio, o governo paulista também ampliou isenções tributárias sobre alimentos e zerou o IPVA de motocicletas de até 180 cilindradas. São medidas que, na leitura do governador, mostram uma escolha de reduzir a carga sobre o consumidor, e não de ampliá-la. A diferença entre os discursos e as alíquotas em vigor é o ponto central da resposta ao ministro.
Ao rebater o ministro, Tarcísio afirmou que divergências políticas não justificam distorcer fatos para atacar adversários e que o debate exige responsabilidade e respeito à verdade. A cobrança vale para qualquer agente público, independentemente de partido. Enquanto a alta do diesel segue como tema sensível para a população e para a economia, a expectativa de quem acompanha o assunto é que governo federal e estados apresentem dados completos sobre a formação dos tributos e assumam, de forma clara, a parcela de responsabilidade que lhes cabe. Mais informações sobre o tema estão no Sem Censura.
