
A maioria democrata nos EUA foi consolidada na madrugada desta quarta-feira, 4 de novembro de 2026: o Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos. Com o resultado das eleições de meio de mandato, a legenda do presidente Donald Trump, o Partido Republicano, perdeu o controle das duas Casas do Congresso americano. A virada muda o equilíbrio de forças em Washington e coloca a maioria democrata no centro do próximo ciclo político do governo republicano.
A contagem começou após o fechamento das primeiras urnas, às 20h da terça-feira, 3, no horário de Brasília. Os eleitores foram às urnas para renovar as 435 cadeiras da Câmara e 35 vagas do Senado. Como os deputados cumprem mandatos de dois anos e os senadores de seis, cada ciclo eleitoral renova toda a Câmara e cerca de um terço do Senado.
No Senado, os democratas mantiveram as cadeiras que já ocupavam e conquistaram sete assentos antes controlados por republicanos. Com isso, a legenda chegou a 54 das cem vagas da Casa. Até a última atualização, os republicanos somavam 44 senadores, com duas vagas ainda indefinidas.
Na Câmara, o avanço foi mais expressivo. Os democratas tomaram 25 assentos que estavam com republicanos em mais de dez Estados e chegaram a 228 cadeiras. O número ultrapassa as 218 necessárias para a maioria absoluta. Naquele momento, os republicanos tinham 139 deputados, enquanto 68 cadeiras aguardavam resultado.
Após a divulgação dos resultados, Trump concedeu entrevista a um grande jornal americano e afirmou estar absolutamente disposto a aceitar os resultados. Segundo ele, a intenção é trabalhar com os democratas e esperar colaboração mútua, com a expectativa de que seja possível chegar a algum entendimento. A declaração marca uma postura de diálogo do presidente logo após a derrota de seu partido nas duas Casas.
Em entrevista anterior a um podcast, porém, Trump já havia dito que pretende se tornar o « Sr. Veto », em referência ao cenário de um resultado desfavorável nas eleições de meio de mandato. Na ocasião, ele afirmou que o Congresso enviaria propostas, que ele vetaria e que, depois de um ou dois meses de vetos, os democratas acabariam buscando um acordo com a Casa Branca.
Com a maioria democrata nos EUA na Câmara e no Senado, os democratas passam a ter condições de conduzir os trabalhos legislativos nas duas Casas, o que altera a dinâmica de aprovação de projetos do governo. O cenário reforça a expectativa de embates entre a Casa Branca e a oposição nos próximos meses, sobretudo em temas que dependem de votação no Congresso. A avaliação de como a relação entre os dois lados vai evoluir ainda depende das primeiras decisões tomadas em Washington.
Para o eleitor americano, o resultado indica uma mudança de preferência em relação à composição anterior do Congresso, que era controlada pelos republicanos. O processo de renovação, que ocorre a cada dois anos, mostra como as urnas podem reequilibrar o poder entre Executivo e Legislativo, mesmo quando um presidente conta com apoio de seu partido. O desdobramento dessa virada deve ser acompanhado de perto pelos próximos meses de governo. Acompanhe mais análises políticas no SemCensura.
