
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou nesta quarta-feira (4) que a guerra no Irã foi o principal motivo para a derrota do Partido Republicano nas eleições nos EUA. O resultado devolveu aos democratas o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, um revés que atinge diretamente a legenda do presidente americano e reabre o debate sobre os rumos do governo nos dois últimos anos de mandato.
Vance detalhou sua avaliação em uma longa publicação na rede social X, na qual listou o que considera as principais razões para o revés republicano. Na mensagem, ele afirmou que a guerra é a causa da derrota e lembrou que o próprio presidente havia dito o mesmo na noite anterior. O vice-presidente também desafiou quem defende que o conflito valeu a pena a assumir essa posição de forma clara, incluindo a perda do Senado pelos próximos seis anos, e disse que, concordando ou não, esse posicionamento seria pelo menos honesto.
No mesmo texto, Vance relatou que uma pesquisa à qual teve acesso antes da votação apontava quatro mudanças capazes de levar os eleitores a votar novamente nos republicanos. Segundo ele, são elas o encerramento da guerra, o foco no custo de vida, a agenda de colocar a América em primeiro lugar e a mudança na relação com Israel. A síntese mostra que o vice-presidente vê na política externa e na economia os pontos centrais para recuperar o apoio perdido.
Apesar das críticas que a derrota provocou, Vance encerrou a publicação dizendo estar esperançoso com o futuro dos Estados Unidos. Ele afirmou que a insatisfação do eleitorado deve ser transformada em energia para retomar o trabalho de salvar o país. A fala tem caráter de reação política e busca oferecer uma saída para a base republicana após o resultado das urnas. Para acompanhar a cobertura completa das eleições nos EUA, o leitor pode revisitar os principais desdobramentos do pleito.
Segundo as apurações divulgadas até o momento, os democratas somam 55 cadeiras no Senado, contra 45 dos republicanos. Na Câmara dos Representantes, o cenário aponta 228 assentos democratas, ante 139 republicanos. Os números mostram uma mudança significativa na composição do Congresso dos EUA, que passa a ter maioria do partido rival do presidente nas duas casas.
A perda do controle de pelo menos uma das casas legislativas pelo partido do presidente é considerada comum em eleições nos EUA. Ainda assim, o histórico desde 1978 chama atenção: nenhum presidente conseguiu manter a maioria nas duas casas do Congresso no período. Com a nova configuração, a capacidade de aprovar propostas do Executivo e de conduzir a agenda legislativa nos próximos anos passa a depender de negociações com a oposição, em um cenário que a própria fala de Vance indica ser marcado pela guerra no Irã e pela economia.
