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Vitória democrata no Texas faz filme “Guerra Civil” voltar às redes sociais

Os resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos reacenderam nas redes sociais a discussão sobre o filme “Guerra Civil”. Com a eleição de dois democratas para o Senado e o governo do Texas, usuários passaram a comparar o desfecho à trama da produção, em que Texas e Califórnia formam uma aliança contra o governo federal.
Cena do filme Guerra Civil, de Alex Garland

Os resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizados na terça-feira, 3, reacenderam nas redes sociais o debate sobre o filme “Guerra Civil”, de Alex Garland, lançado em 2024. Os democratas James Talarico e Gina Hinojosa foram eleitos, respectivamente, senador e governadora do Texas, estado de tradição republicana. Usuários passaram a associar o desfecho ao enredo da produção, em que Texas e Califórnia formam uma aliança contra o governo federal.

Guerra Civil: Primeira vez em décadas

Com a vitória de Talarico, o Texas passa a ter um democrata ocupando uma das vagas no Senado americano pela primeira vez em décadas. Já Hinojosa, também do Partido Democrata, vai assumir o governo estadual. A combinação de resultados em duas das principais posições de poder do estado foi o ponto de partida para a onda de comentários online que relacionou a votação ao filme.

Parte do público passou a afirmar que o diretor teria antecipado o cenário político atual. A associação ganhou força justamente porque a produção, lançada há dois anos, retrata um futuro próximo em que dois estados com perfis políticos distintos se unem para enfrentar um governo central. Para muitos internautas, o paralelo com a eleição texana tornou-se inevitável.

A premissa da trama

Na história, ambientada em um futuro próximo, Califórnia e Texas se unem sob o nome de “Forças do Oeste” para enfrentar um presidente tirano, em meio a uma guerra civil que divide o país. O roteiro, no entanto, não detalha o motivo da união entre um estado governado historicamente por democratas e outro de maioria republicana.

Essa lacuna gerou perguntas e críticas entre espectadores desde a estreia do longa. Para parte do público, a ausência de uma justificativa clara para a aliança é o que torna a obra difícil de interpretar, e a coincidência com o resultado eleitoral reabriu a discussão sobre o que o filme pretendia dizer.

A explicação do diretor

Em 2024, durante o lançamento, Alex Garland abordou o tema no festival South by Southwest. Segundo o diretor, o enredo oferece elementos suficientes para que o espectador chegue à própria conclusão. “Pessoalmente, acho que as perguntas são respondidas”, afirmou.

Garland apontou o papel do presidente como ponto de partida para a aliança entre os estados. “Há um presidente fascista que violou a Constituição e atacou cidadãos [americanos]. E essa é uma afirmação muito clara e direta. Se você quiser pensar sobre por que o Texas e a Califórnia poderiam ser aliados, deixando de lado suas diferenças políticas, a resposta estará implícita nisso”, disse.

Respostas para o público

Ao final da explicação, o cineasta afirmou que cabe ao público buscar essas respostas, em vez de esperar que tudo seja explicado. “Acho que as respostas estão lá, mas você precisa ir atrás delas e não esperar que tudo seja mastigado para você. Isso pressupõe que o filme faça suposições sobre o público”, declarou.

O episódio ilustra como uma produção de ficção passa a ser lida à luz de acontecimentos reais assim que o noticiário político ganha espaço nas redes sociais. Com a posse dos novos eleitos previstos para o Texas, a relação entre o filme e o cenário político local deve continuar sendo tema de debate entre espectadores e internautas.

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