
A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (Creden) da Câmara dos Deputados retirou de pauta, por acordo, nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, o requerimento que previa a convocação de Mucio, ministro da Defesa, para dar explicações sobre a abordagem do general Emílio Vanderlei Ribeiro ao deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), nas dependências da Casa. Com a retirada, a convocação não chegou a ser votada pelos integrantes do colegiado.
O requerimento foi apresentado pelos deputados Cabo Gilberto Silva (PL-PB) e Marcel van Hattem. O texto pedia que o ministro esclarecesse o episódio envolvendo o militar, que na ocasião ocupava a chefia da assessoria parlamentar do Exército. A pauta da reunião estava prevista para as 9h, mas a sessão começou às 10h32 e terminou às 11h45.
Além da abordagem ao parlamentar, a convocação de Mucio solicitava esclarecimentos sobre a nomeação posterior de Ribeiro para o comando da 2ª Região Militar. Com a retirada de pauta, essa questão também deixou de ser discutida formalmente com o ministro na comissão, e o Parlamento não recebeu, por essa via, as explicações que o pedido buscava.
Na mesma reunião, os deputados aprovaram outro requerimento, com pedido de envio de uma indicação ao Ministério da Defesa para a adoção de medidas de responsabilização do general. Entre as providências sugeridas está a abertura de processo administrativo disciplinar ou de outro procedimento cabível no âmbito do Exército. O documento recebeu a assinatura do deputado Sargento Fahur (PL-PR).
Em maio, a comissão já havia aprovado uma manifestação de repúdio ao episódio. Na avaliação dos deputados, a abordagem do então chefe da assessoria parlamentar do Exército configurou uma tentativa de intimidação contra Van Hattem por causa de suas posições políticas. O colegiado registrou, na ocasião, que o caso merecia resposta institucional do próprio Executivo.
Segundo registro da própria Creden, Mucio se reuniu com integrantes do colegiado em 6 de maio e pediu desculpas ao deputado pelo ocorrido. No mesmo dia, a comissão aprovou um convite ao comandante do Exército para prestar esclarecimentos sobre a conduta do militar. Até a data da retirada de pauta, o material disponível não informa se esse convite foi atendido.
Chama atenção que o pedido de desculpas feito em maio não substituiu a explicação formal que o requerimento buscava no plenário da comissão, nem respondeu à pergunta sobre a designação do militar para a 2ª Região Militar. A retirada por acordo encerra, por ora, a discussão sobre a convocação de Mucio, mas deixa sem resposta pública os questionamentos apresentados por parlamentares de oposição ao governo sobre a conduta do general.
Resta saber como o Ministério da Defesa tratará a indicação aprovada pela comissão e se o Exército dará andamento a algum procedimento disciplinar contra o militar. A resposta a essas questões será decisiva para verificar se o episódio, que os deputados classificaram como intimidação a um parlamentar, terá desdobramentos concretos dentro da estrutura militar. Mais análises sobre o tema estão disponíveis no portal Sem Censura.
