
A cantora evangélica Ana Paula Valadão, líder e fundadora do grupo Diante do Trono, e seu marido, o pastor Gustavo Bessa, se manifestaram após o Ministério da Justiça do governo Lula alterar a classificação indicativa dos Desenhos Bíblicos da Record, exibidos pela própria emissora como Record Kids. A atração, que era livre, passou a ser não recomendada para menores de 12 anos. Para um programa de conteúdo religioso voltado ao público infantil, a decisão mexe diretamente com a relação entre o Estado, as emissoras e as famílias.
A reclassificação foi publicada no Diário Oficial da União no fim de outubro. Segundo a portaria, o órgão indicou como descritores de conteúdo atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito. A Record havia pedido classificação livre para o programa. Com a mudança, a recomendação para exibição na televisão aberta passa a ser a partir das 20h.
O ponto mais sensível está no próprio registro oficial. A portaria consultada não especifica quais episódios ou cenas fundamentaram a avaliação, ou seja, o público sabe quais temas foram apontados, mas não sabe onde eles aparecem na série. Chama atenção que uma produção baseada em narrativas bíblicas receba descritores como atos criminosos e drogas lícitas sem que a decisão indique o trecho que a justifica.
Diante da falta de detalhamento, parlamentares e usuários de redes sociais passaram a cobrar explicações sobre os critérios utilizados pelo Ministério da Justiça. A cobrança não é menor: quando um órgão federal altera a faixa etária de uma atração, a sociedade precisa conhecer a metodologia, os responsáveis pela análise e os parâmetros aplicados. Sem isso, a decisão parece depender mais de interpretação do que de regra clara.
A manifestação de Ana Paula Valadão e de Gustavo Bessa se soma às cobranças de parlamentares e de usuários que pedem esclarecimentos. Enquanto o Ministério da Justiça não publicar com clareza as cenas e os critérios que embasaram a mudança, o episódio permanecerá como mais um exemplo de decisão federal tomada sem a transparência esperada de um governo que se apresenta como defensor das crianças e das famílias. A sociedade tem o direito de saber por que os Desenhos Bíblicos da Record passaram a ser tratados como conteúdo impróprio para menores de 12 anos. Acompanhe mais análises no Sem Censura.
