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Magno Malta defende redução da maioridade penal e cobra posição da esquerda

O senador Magno Malta defendeu a discussão sobre a redução da maioridade penal e relembrou sua proposta de 2003 sobre crimes hediondos. Ele também criticou a resistência de setores do governo Lula ao tema e o adiamento da pauta no Senado.
Magno Malta defende redução da maioridade penal e cobra posição da esquerda

O senador Magno Malta (PL) afirmou que a redução da maioridade penal precisa ser debatida com seriedade pelo Congresso Nacional. Em artigo publicado nesta quinta-feira, 5 de novembro, ele ressaltou que votou a favor da PEC da Segurança Pública aprovada na semana anterior, mas considerou que a maioridade penal é um tema à parte, que a esquerda brasileira trata como um tabu. Para o parlamentar, a discussão sobre a responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes graves não pode ser adiada indefinidamente.

Os argumentos usados contra a redução da maioridade penal

Segundo o senador, sempre que o tema avança no Congresso surgem os mesmos argumentos contrários, como a criminalização da pobreza, a desigualdade social, o desenvolvimento psicológico dos adolescentes e a incapacidade do sistema prisional de ressocializar. Ele reconheceu que essas questões merecem debate, mas afirmou que não podem servir de justificativa permanente para evitar a responsabilização de quem comete crimes graves. Magno Malta questionou ainda por que, na sua avaliação, a preocupação com a vulnerabilidade de quem comete o crime nem sempre vem acompanhada de atenção semelhante às vítimas.

O parlamentar atribuiu essa resistência a uma concepção ideológica de segurança pública, que, na sua visão, privilegia a dimensão social do delito e trata o endurecimento penal como ameaça aos direitos humanos. Para ele, o problema surge quando essa perspectiva deixa de ser uma linha de política criminal e passa a funcionar como dogma, sem abertura para a realidade e para o debate. Ele também afirmou que a segurança pública está entre as principais preocupações da população e que resistir a medidas de responsabilização com apoio popular tem custo eleitoral.

Contradição no governo Lula

Magno Malta apontou uma contradição dentro do governo federal. Segundo ele, setores da base do presidente Lula rejeitam historicamente a redução da maioridade penal, mas o próprio presidente já declarou ser favorável a mudanças nas regras. O senador associou essa posição à disputa eleitoral, ao afirmar que o governo estaria visando a reeleição ao adotar esse discurso. Para o parlamentar, o governo precisa explicar a diferença entre a posição pública do presidente e a resistência de sua base. Para mais detalhes sobre essa discussão, leia mais sobre o tema.

O impasse no Senado

De acordo com o relato do senador, em outubro o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, retirou a PEC da pauta diante da disputa sobre a inclusão da redução da maioridade penal. Em 3 de novembro, as emendas foram desmembradas para tramitar separadamente, e a PEC da Segurança acabou aprovada sem a alteração sobre a maioridade. A justificativa apresentada foi preservar a tramitação adequada e evitar atrasos. Magno Malta questionou, porém, por que a responsabilização de adolescentes continua sendo adiada. A tramitação ocorre no Senado Federal.

A discussão jurídica e o histórico do tema

O senador citou um dos argumentos mais usados para encerrar o debate: a alegação de que a maioridade penal é cláusula pétrea da Constituição. Ele lembrou que o artigo 228 estabelece a inimputabilidade dos menores de 18 anos, mas afirmou que há divergência entre juristas sobre a possibilidade de alterar essa regra por emenda constitucional. Na avaliação dele, portanto, não se trata de uma questão juridicamente pacificada, o que permitiria ao Congresso avançar na discussão.

Magno Malta relembrou que, em 2003, apresentou a PEC 90, que propunha a responsabilização penal de maiores de 13 anos que praticassem crimes hediondos. Segundo ele, a proposta previa tratamento em centros específicos de ressocialização, e não o encaminhamento simples desses adolescentes aos presídios comuns. Em 2014, o parlamentar disse ter voltado a defender a iniciativa publicamente, enfrentando a polêmica que o tema costuma provocar.

Ao concluir, o senador afirmou que a esquerda precisa explicar por que a defesa dos direitos de quem pratica crimes ocupa, muitas vezes, o centro de seu discurso, enquanto as vítimas ficam em segundo plano. Para ele, a proteção da infância não pode significar desproteção da sociedade. O tema deve seguir em discussão no Senado, sem data definida para nova votação da alteração sobre a redução da maioridade penal.

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