
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que viajará à Turquia acompanhado do deputado federal André Janones (Rede-MG) para participar da COP31, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, entre 12 e 18 de novembro. A confirmação foi feita em vídeo publicado no Instagram neste sábado, 7. O petista associou a presença do parlamentar ao canal de WhatsApp “Exército do Lula”, usado por Janones para impulsionar a campanha do segundo turno.
Em mensagem dirigida aos integrantes do grupo, Lula pediu que a tropa esteja de prontidão “para não deixar os nossos inimigos continuarem mentindo nesse país”. Ele chamou Janones de “meu general” e afirmou que somente a verdade repetida muitas vezes destruiria uma mentira contada milhões de vezes. Segundo o presidente, não há financiamento nem impulsionamento capaz de destruir a verdade “a vida inteira”.
Lula também anunciou que fará uma live semanal com Janones na Turquia, com previsão de realização na próxima quinta-feira, 12. De acordo com o material disponível, a dupla pretende manter o canal de WhatsApp em funcionamento para fazer pressão contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. O canal reúne hoje pouco mais de 10 milhões de integrantes.
Chama atenção que um canal criado para sustentar a campanha eleitoral seja mantido com o objetivo declarado de pressionar os Poderes, enquanto o presidente se ausenta do país por uma semana. A combinação de agenda oficial internacional com mobilização digital de militância é um dos pontos que devem ser acompanhados pela opinião pública. Até o momento, não há detalhamento sobre como essas atividades serão custeadas.
Depois da COP31, realizada em Antália, no território turco, Lula seguirá para Manila, nas Filipinas. Lá terá uma reunião bilateral com o presidente Ferdinand Marcos e, em seguida, integrará a reunião de cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático. Não há confirmação sobre a presença de Janones nessa etapa da viagem.
O Palácio do Planalto não divulgou quantas pessoas irão acompanhar o presidente ao exterior. Também não há estimativas de valores a serem gastos com a viagem, informação relevante para o contribuinte, sobretudo porque a comitiva inclui um parlamentar que atua na comunicação digital da campanha. A falta de números oficiais deixa sem resposta questões básicas sobre o custo da missão.
A viagem será a primeira internacional de Lula desde a reeleição, confirmada em 25 de outubro, quando superou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da disputa presidencial. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o petista venceu por 51,79% a 48,21%. A diferença de pouco mais de três pontos percentuais dá a dimensão da disputa que ainda marca o cenário político do país.
Com a agenda já anunciada, a expectativa é que a presença de Lula em Antália, Manila e na cúpula asiática concentre a atenção da imprensa e dos eleitores nas próximas semanas. O roteiro confirmado inclui a COP31, o encontro com o presidente filipino e a reunião de cúpula da ASEAN. Novos detalhes sobre a comitiva e os gastos deverão depender de divulgação oficial do governo federal.
