
Uma médica morta pelo ex-namorado no interior do Acre: Elyne Assis foi assassinada em um bar na noite da última segunda-feira (02/11), feriado de Finados. Minutos antes do crime, ela acionou o botão do pânico ao perceber que o ex-namorado passava repetidamente pela rua do estabelecimento. Apesar do alerta, nenhuma equipe policial foi enviada ao local, e o caso passou a repercutir pela combinação entre o feminicídio e a falha na resposta ao pedido de socorro.
Testemunhas relataram à Polícia Militar que a central de monitoramento chegou a ligar para a médica, mas não mobilizou nenhuma guarnição para atender ao chamado. Ainda segundo esses relatos, viaturas passaram duas vezes em frente ao bar, mas os policiais não teriam sido informados sobre a situação que a vítima vivia naquele momento. A sequência de contatos indica que o alerta chegou ao sistema, sem que houvesse deslocamento de equipe.
O caso chama atenção porque, antes do feminicídio, o Ministério Público já havia solicitado por duas vezes a prisão do ex-companheiro de Elyne. Os pedidos formulados anteriormente reforçam o histórico de risco apontado no processo, e a morte ocorreu sem que a vítima tivesse sido protegida pelo sistema de monitoramento que ela havia acionado. A relação entre as medidas pedidas à Justiça e a resposta operacional no dia do crime deve ser esclarecida pelas autoridades competentes.
A médica mantinha vínculo profissional com a Bahia. Ela trabalhou no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Alagoinhas e atuou no município de Araçás. Depois de morar na região e no Rio de Janeiro, voltou ao Acre há cerca de dois anos e meio para ficar perto da família, onde viveu até a morte.
Após a confirmação da morte, o Samu de Alagoinhas divulgou nota de pesar em que lembrou a dedicação da profissional durante o período em que integrou a equipe. O serviço afirmou que a passagem de Elyne deixou marcas e registrou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho, dizendo que a lembrança dela permanecerá entre a equipe.
O episódio de médica morta pelo ex-namorado levanta questionamentos sobre o fluxo entre a central de monitoramento e as equipes da Polícia Militar no Acre. Segundo os relatos de testemunhas, a vítima foi contatada pela central, mas não houve mobilização, mesmo com viaturas passando pelo local. Chama atenção que o acionamento do botão do pânico, em uma situação de perseguição descrita como repetida, não tenha resultado no envio de uma guarnição. Acompanhe outros casos de segurança pública no SemCensura.
O material disponível até este momento não traz manifestação oficial da Polícia Militar do Acre nem informações sobre eventual apuração interna. Também não há detalhes divulgados sobre a prisão do suspeito ou sobre o andamento do processo criminal. Caberá às autoridades acreanas esclarecer por que o alerta não foi atendido e se os protocolos de proteção foram seguidos.
