Sem Censura TV

Uvas em Petrolina: parreirais no sertão pernambucano sustentam exportações de frutas

Petrolina, em Pernambuco, mostra como a irrigação a partir do Rio São Francisco transforma o semiárido em área de cultivo de uvas, mangas e goiabas voltada também ao mercado externo. A região do Vale do São Francisco reúne produção de vinhos, empregos ligados à irrigação e um roteiro turístico que combina lavoura, gastronomia e vida urbana às margens do rio.
Parreirais verdes de uvas em Petrolina no sertão de Pernambuco

Em Petrolina, no sertão de Pernambuco, parreirais verdes se estendem em pleno semiárido, e o cultivo de uvas em Petrolina ajuda a explicar o peso econômico da cidade. A água do Rio São Francisco sustenta uma agricultura que também abastece mercados no exterior, com destaque para uvas e mangas. Ao lado da produção, os vinhos da região começaram a atrair visitantes interessados em passeios pelos vinhedos e pelas vinícolas.

Exportações do Vale do São Francisco

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), a região que inclui Petrolina movimentou aproximadamente US$ 1 bilhão em exportações de frutas em 2024. O número se refere ao Vale do São Francisco como um todo, e não ao município isolado. Naquele ano, as frutas produzidas na região chegaram a mais de 50 países.

A produção depende de levar água às áreas de cultivo e de controlar sua aplicação. Dessa forma, as lavouras não ficam limitadas à chuva que cai sobre cada propriedade. O verde dos pomares resulta da combinação entre o rio, o trabalho agrícola e a tecnologia de irrigação, que aproxima a paisagem sertaneja de mercados em outros continentes.

Sol e irrigação sustentam as uvas em Petrolina

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) afirma que o Vale reúne cerca de 3.000 horas de sol por ano, irrigação precisa e condições para colher até duas safras anuais. Nessa região, o calor contribui para o amadurecimento das uvas, em vez de inviabilizar o cultivo. Esse calendário distingue o Vale das áreas de vinho associadas ao inverno frio.

A região cultiva variedades destinadas a tintos, espumantes e sucos, com finalidades diferentes das uvas vendidas para consumo fresco. Para quem visita as uvas em Petrolina, entender essas diferenças torna a passagem pelos vinhedos mais informativa do que apenas observar as fileiras de plantas.

Empregos ligados à irrigação

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) relaciona 156 mil empregos à área de irrigação Petrolina/Juazeiro. Trata-se de um conjunto regional de projetos, em que uva, manga e goiaba aparecem entre as principais culturas. Portanto, o dado abrange uma área maior do que o perímetro urbano de Petrolina.

Rio, cozinha sertaneja e artesanato

A experiência em Petrolina não se restringe às propriedades rurais. O Rio São Francisco acompanha a paisagem urbana e permite combinar a caminhada pela orla com refeições e visitas culturais. Além disso, o visitante encontra artesanato e vive o cotidiano das ruas, o que amplia o interesse do destino para além da produção agrícola.

A gastronomia local também reflete a ligação com o sertão. Carne de bode, carneiro, cuscuz, queijo coalho e peixes aparecem entre as opções oferecidas. O Bodódromo, no bairro Areia Branca, reúne restaurantes especializados em pratos de bode e carneiro, sendo uma parada frequente para quem percorre a cidade.

Como planejar a visita

Quem pretende conhecer a região deve separar os passeios urbanos das saídas regionais, já que visitar uma vinícola pode exigir deslocamento rodoviário e ocupar boa parte do dia. O roteiro anunciado pelo Vapor do Vinho parte de Petrolina e combina trajeto por estrada, navegação no Lago de Sobradinho, almoço, parada para banho e visita à vinícola Miolo. Ou seja, nem todas as etapas acontecem dentro do município.

Antes de reservar, é recomendável confirmar ponto de encontro, horário e serviços incluídos. De acordo com o operador, as bebidas na embarcação são cobradas à parte. Já quem deseja acompanhar a colheita precisa consultar a programação específica da propriedade, pois a produção ao longo do ano não garante essa atividade em qualquer visita.

Melhor época para visitar

De junho a agosto, as médias indicadas pelo Climatempo, serviço privado, apontam calor menos intenso e pouca chuva, condições favoráveis aos passeios ao ar livre. No início do ano, a chuva aumenta. Na primavera, as tardes ficam mais quentes. As informações são resumos de uma série de 30 anos e não representam extremos históricos, por isso a consulta à previsão antes da viagem é indicada.

Petrolina oferece, assim, um destino em que o trabalho no campo ajuda a explicar a cidade, mas não ocupa todo o roteiro. Há espaço para observar o rio, conversar com artesãos e experimentar sabores que não dependem de uma visita à vinícola. Para o visitante, reservar tempo para essas paradas entre uma saída e outra pelo Vale completa a experiência. Para acompanhar mais temas, veja também o portal Sem Censura.

Veja Também...

Buscar
Se Inscreva no Youtube


© Copyright 2022 Sem Censura TV. Todos os direitos reservados.