
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) manteve sua candidatura à presidência do Senado e passou a buscar apoio entre integrantes do Centrão e dissidentes do PL. A ex-ministra da Agricultura pretende enfrentar a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) e disputar espaço com Rogério Marinho (PL-RN), candidato oficial da oposição. Se for eleita, ela se tornará a primeira mulher a comandar a Casa.
A disputa ganhou contornos mais complexos nos últimos dias. Tereza afirmou que conversou com Marinho sobre o tema, já que ambos integram o mesmo campo político. “Mas a minha candidatura está mantida e a dele também. Eu quero ser a primeira mulher presidente do Senado”, declarou a senadora. Marinho confirmou que existe um entendimento entre os dois para evitar uma candidatura contra a outra, mas nenhum dos dois abriu mão da disputa. O lançamento oficial da candidatura de Marinho pelo PL está previsto para esta quarta-feira, 4.
A movimentação ocorre apesar de a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, ter anunciado apoio à reeleição de Alcolumbre na semana passada. Em nota, os presidentes da federação, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, afirmaram que a continuidade do senador contribui para a “estabilidade institucional e o equilíbrio político”. A decisão, no entanto, já enfrenta resistências internas, como a do senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), que anunciou voto contrário a Alcolumbre.
Tereza tenta transformar esse cenário em vantagem. Ela aposta no trânsito entre partidos diferentes e no argumento de que sua candidatura representa uma alternativa à disputa entre Marinho e Alcolumbre. Uma ala do PL próxima ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, demonstra simpatia pela candidatura da senadora, segundo o próprio material apurado.
A senadora também investe na ampliação do espaço de lideranças femininas na reorganização do campo conservador. A bancada feminina do Senado deve passar das atuais 15 para 18 integrantes a partir de 2027, número que Tereza pretende explorar na articulação. Do outro lado, Marinho conta com o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de Carlos Bolsonaro (PL-SC), eleito senador. O PL terá 28 senadores a partir de fevereiro e pretende usar o crescimento da bancada para ampliar sua influência sobre o funcionamento da Casa.
Tereza e Marinho se reuniram na semana passada para discutir a possibilidade de unificar a oposição em torno de um único nome, mas não houve acordo. Ambos mantiveram suas pretensões. A ex-ministra pretende acompanhar a evolução do placar e avaliar a chance de atrair novos apoios antes da votação. A divisão do campo conservador, nesse ponto, é apontada como fator que amplia a incerteza sobre o resultado final.
A eleição para a presidência do Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027, e o voto é secreto. Aliados de Tereza contestam as contas apresentadas pelo grupo de Alcolumbre. Na avaliação desse grupo, o atual presidente do Senado teria entre sete e oito votos a menos do que os 48 que seus interlocutores afirmam reunir. A diferença entre as projeções é significativa e, somada ao sigilo da votação, dificulta qualquer previsão segura.
Nos cálculos da oposição, há parlamentares contabilizados simultaneamente nas projeções de diferentes candidaturas, o que amplia a incerteza sobre o resultado. Alcolumbre conta com o apoio de direções partidárias do Centrão e de legendas da base governista, mas enfrenta resistências em parte dessas bancadas. O cenário mostra que a definição do comando do Senado depende, em grande medida, de acordos feitos nos bastidores até o dia da votação.
A disputa pela presidência do Senado acontece em um momento em que a Casa também trabalha em pautas sensíveis para a população. A análise da PEC da Segurança começou em meio a um impasse sobre a maioridade penal, tema que divide parlamentares e que deve pesar na articulação dos próximos meses. Como o comando da Casa define a pauta de votações, a escolha do novo presidente terá impacto direto sobre o andamento dessas propostas. Para mais detalhes, acompanhe a cobertura completa sobre o tema.
