
Em 2025, o número de empresas fechadas no Brasil chegou a cerca de 2,87 milhões, um recorde em números absolutos, ao mesmo tempo em que também bateu recorde de aberturas de negócios. O dado ganha peso quando somado a juros elevados, a sensação de insegurança e ao risco de aumento de impostos em determinados setores, num cenário em que o governo Lula apresenta a reforma tributária como um passo de modernização. Para o empresariado, a conta das empresas fechadas no Brasil em 2025 mostra que o ambiente de negócios ainda não acompanha o discurso oficial.
Por trás de cada negócio que encerra suas atividades existe, muitas vezes, uma trajetória de investimento, esforço e empregos criados e depois perdidos. Mesmo assim, a leitura que o Sem Censura faz é de que Brasília continua tratando o empreendedor como se ele fosse um privilegiado a ser punido, e não como o motor da geração de renda e de vagas. Quando o custo do crédito sobe e a carga sobre a produção cresce, a sobrevivência de pequenas e médias empresas torna-se cada vez mais frágil. Leia também a análise Efeito Lula: 2023 teve quatro empresas fechadas por minuto.
O cenário das empresas se reflete no bolso das famílias. Os dados citados na análise apontam que 81,7% das famílias brasileiras estão endividadas, um índice que revela o peso do crédito no orçamento doméstico. Nem toda dívida representa inadimplência, mas o retrato é de um cidadão que parcela a compra do supermercado, compromete parte da renda e faz malabarismos para chegar ao fim do mês.
Enquanto isso, o governo federal destaca seus próprios discursos. Chama atenção que a retórica de defesa dos mais pobres não se traduza, na visão crítica, em menos obstáculos para que o trabalhador e o pequeno empreendedor prosperem. Para a oposição a esse modelo, o problema não é a intenção declarada, mas a distância entre o que é anunciado e o que chega ao cotidiano de quem produz e consome.
O governo Lula vende a reforma tributária como simplificação e modernização do sistema. Na avaliação crítica, porém, a proposta traz custos de adaptação para as empresas e riscos tributários para quem produz, especialmente em alguns setores que podem enfrentar aumento de carga. Há uma contradição evidente entre o slogan da simplificação e a realidade de empresas que terão de se reorganizar antes de qualquer ganho efetivo.
Na leitura conservadora, a prosperidade de um país nasce da produção antes da distribuição. Riqueza precisa ser gerada para ser repartida, e isso depende de um ambiente em que o investimento seja viável, o crédito seja acessível e as regras sejam estáveis. Quando o Estado exige cada vez mais do contribuinte, a consequência tende a ser menos empresas, menos vagas e menos renda disponível para as famílias.
Há ao menos dois argumentos fortes nessa linha. O primeiro é a segurança jurídica: mudanças tributárias que geram incerteza setorial afastam investimentos, e sem investimento não há expansão do emprego formal. O segundo é a defesa da liberdade econômica e do cidadão: para quem defende um Estado menor e mais transparente, a carga tributária deve ser proporcional à capacidade de entrega dos serviços públicos, e não uma fonte permanente de arrecadação que pressiona famílias endividadas e empresas sufocadas. Nessa visão, quem abusa da própria arrecadação deve prestar contas à sociedade.
O debate de fundo é se a política econômica atual promove justiça social ou apenas administra a escassez com cobrança cada vez mais cara. Para os críticos do governo federal, falar em justiça social sem enfrentar os custos do crédito, a insegurança e a carga tributária sobre a produção é uma contradição que o país não consegue mais sustentar. Enquanto as empresas fechadas no Brasil atingem recorde e as famílias seguem endividadas, a cobrança por resultados concretos tende a crescer no debate público.
