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Nota de Flávio Bolsonaro: “Não saí do Brasil, saí pelo Brasil” e critica a Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma nota em que justifica sua viagem aos Estados Unidos, realizada em 27 de outubro, critica a TV Globo e contesta as medidas judiciais expedidas contra ele. O parlamentar afirma que deixou o país por razões políticas e anuncia entrevistas a veículos nacionais e internacionais.
Senador Flávio Bolsonaro em foto relacionada à nota de Flávio Bolsonaro sobre sua viagem e as medidas judiciais

Em nota de Flávio Bolsonaro divulgada neste domingo, 1º, intitulada “Nota ao Brasil”, o senador (PL-RJ) justifica sua viagem aos Estados Unidos, critica a TV Globo e contesta as medidas judiciais tomadas contra ele. Na mensagem, o parlamentar afirma que não deixou o país por fuga, e sim por razões políticas. A viagem foi realizada em 27 de outubro, acompanhado da mulher e das duas filhas. A repercussão do caso coloca em debate a atuação do Supremo Tribunal Federal e os limites da relação entre a imprensa e os políticos da oposição.

A nota de Flávio Bolsonaro e o atrito com a Globo

Segundo a nota, Flávio recebeu um convite da Globo para uma entrevista exclusiva, mas condicionou sua participação à exibição integral da conversa. “Aceitei com uma condição simples: que fosse exibida na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos”, escreveu. Ainda de acordo com o senador, a emissora não aceitou a condição e preferiu não seguir adiante com a entrevista. Na sequência, ele criticou a reportagem que o Fantástico deve exibir neste domingo, afirmando que a produção não lhe daria o direito de apresentar sua versão dos fatos.

Ao comentar a postura da emissora, o parlamentar declarou: “Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação”. A fala expõe uma disputa que vai além de um convite recusado: trata-se do direito de um político da oposição ser ouvido com integralidade e sem filtros editoriais sobre temas que considera relevantes para o debate público.

“Não saí do Brasil, saí pelo Brasil”

Ao justificar a viagem, Flávio afirmou que deixou o país por motivos políticos e resumiu a posição em uma frase: “Não saí do Brasil, saí pelo Brasil!”. Na nota, ele também contestou a decisão judicial que determinou medidas cautelares contra ele. Segundo o relato do senador, a ordem foi expedida sete minutos depois do anúncio do resultado das eleições pelo Tribunal Superior Eleitoral, no segundo turno. A cronologia apresentada por ele é, por si só, um ponto que merece atenção de quem acompanha a segurança jurídica das decisões tomadas em momentos sensíveis do calendário político.

De acordo com o senador, a intimação chegou doze horas depois, na rua, quando ele deixava a casa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio descreveu a cena como um momento de sofrimento familiar e classificou as medidas como perseguição. A Polícia Federal o abordou na saída da residência e comunicou a ordem do ministro Alexandre de Moraes para recolher os passaportes do parlamentar. Ele também mencionou uma operação policial na casa da família e afirmou que os agentes revistaram as gavetas das filhas.

O que está em jogo

Na leitura conservadora, o caso não se resume a uma briga entre um senador e uma emissora de TV. Ele levanta uma questão central para o Estado de Direito: a previsibilidade e a imparcialidade do Judiciário. Quando medidas restritivas contra um parlamentar são expedidas em minutos após um resultado eleitoral e executadas com abordagem policial em espaços familiares, cresce a percepção de que as regras não se aplicam da mesma forma a todos. Para quem defende a separação de poderes e o devido processo legal, a garantia de defesa plena e de um julgamento justo é o que sustenta a confiança do cidadão nas instituições, independentemente do lado político de quem está sendo investigado.

Há ainda um segundo argumento, ligado à liberdade de expressão. O direito de um político se comunicar com a sociedade sem cortes impostos por terceiros e de responder às acusações em sua própria voz é parte essencial da democracia. Para os que defendem um Estado menos intrusivo e uma imprensa livre de pressões, tanto o poder das cortes sobre a atuação de parlamentares quanto a seleção editorial de entrevistas são temas que exigem transparência. Defender o direito de Flávio Bolsonaro falar “sem cortes, sem filtro”, como ele afirmou, é defender a regra básica de que o cidadão deve poder ouvir o que cada liderança tem a dizer, sem intermediários que decidam o que vai ao ar.

Próximos passos

Na nota de Flávio Bolsonaro, o senador anunciou que pretende conceder entrevistas nos próximos dias a grandes veículos nacionais e internacionais, sem restrição de temas. Ele reafirmou que não se arrepende de sua atuação política e disse ter enfrentado “todo um sistema que quer as coisas continuem como estão no Brasil”. Os próximos desdobramentos devem mostrar como a emissora e o parlamentar vão lidar com a reportagem anunciada para a noite de domingo e se as entrevistas prometidas serão, de fato, realizadas da forma descrita por ele. O público, de qualquer espectro político, tem interesse em acompanhar essa disputa com atenção e com acesso às versões de todas as partes envolvidas.

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