
Crianças e adolescentes acompanhados pelo Ambulatório Especializado de Doença Falciforme do Multicentro de Saúde Carlos Gomes participaram, na quinta-feira (22), de uma programação com brincadeiras, apresentação teatral e orientações para pacientes e familiares. A atividade foi organizada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador e integrou a Semana de Mobilização da Doença Falciforme, iniciada na segunda-feira (19). A data coincidiu com a comemoração do Dia das Crianças, usada como pretexto para o encontro com os pacientes da unidade.
Segundo a SMS, a doença falciforme é uma condição genética que afeta os glóbulos vermelhos e pode comprometer diferentes órgãos do corpo. Por isso, exige acompanhamento permanente nos serviços de saúde. A responsável técnica pelo campo temático da doença na secretaria, Marivone Dias Monteiro, afirmou que a condição ainda é pouco visível, apesar de antiga, e que os encontros servem para informar a população e as pessoas que convivem com ela. O transplante de medula óssea aparece, na explicação da pasta, como possibilidade de cura, mas apenas em casos específicos.
O ambulatório conta com equipe multidisciplinar formada por hematologista pediátrica, profissionais de enfermagem, nutrição, serviço social e psicologia. A assistente social Marluce Figueiredo Manzini, do serviço, afirmou que as atividades lúdicas buscam mostrar aos pacientes que há uma equipe especializada e que eles não enfrentam a doença sozinhos. Segundo ela, o acompanhamento integrado procura atender às diferentes necessidades dos pacientes e contribuir para a qualidade de vida.
Entre os participantes estava a vendedora Elisângela de Souza Santos, de 35 anos, que acompanha o tratamento da filha desde o nascimento. Ela disse que frequenta palestras e eventos sempre que possível e que as orientações ajudam quem tem dúvidas sobre a doença. A doméstica Edinalva Francisca da Silva, de 49 anos, levou o filho Wesley da Silva dos Santos, de 12 anos, atendido no ambulatório desde os primeiros meses de vida. Ela deixou o trabalho no dia para acompanhar a atividade e avaliou positivamente o atendimento, com destaque para a assistência social.
Além da programação no ambulatório, a semana prevê ações nas unidades básicas de saúde da capital. O tema deste ano trata da linha de cuidado da doença e da importância do acompanhamento do paciente em todos os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), e não apenas em um ponto específico da rede. A SMS afirmou que o objetivo é ampliar a visibilidade da doença e o acesso à informação, e destacou que Salvador tem elevada incidência da condição, sem, no entanto, informar números.
O material divulgado pela prefeitura não informa quantos pacientes são atendidos no Ambulatório de Doença Falciforme, quantas unidades básicas participam da campanha nem qual foi o investimento em brincadeiras, apresentação teatral e demais ações. Também não há dados sobre a incidência da doença na capital, citada apenas como elevada. Sem esses números, fica difícil medir o alcance da semana e comparar a demanda com a capacidade de atendimento da rede municipal. A SMS reforça que o SUS está disponível para apoiar os pacientes, mas a divulgação oficial não traz indicadores que permitam avaliar esse apoio na prática.
