
Na noite de 6 de novembro de 2026, o ex-presidente do Paraguai Santiago Peña (Partido Colorado, direita) foi transferido da prisão domiciliar para o Regimento de Escolta Presidencial, uma unidade militar do país. A mudança ocorreu após confrontos entre policiais e manifestantes nas proximidades da residência do ex-presidente, no bairro de Mbocayaty. Os manifestantes exigiam que Peña fosse preso em regime fechado e, durante a saída dos veículos, lançaram ovos e gritaram ofensas contra ele. O transporte foi realizado em um comboio de pelo menos quatro caminhonetes, reforçando a preocupação com a segurança do ex-presidente.
A autoridade responsável justificou a medida como necessária por razões de segurança. Segundo relatos, a presença de manifestantes agressivos nas redondezas da casa de Peña representava risco tanto para o ex-presidente quanto para os agentes de segurança que o acompanhavam. Por esse motivo, decidiu-se pela mudança para o Regimento de Escolta Presidencial, onde o ex-presidente permanecerá sob custódia militar até nova deliberação das autoridades.
Peña estava cumprindo prisão domiciliar a pedido do Ministério Público, que o investiga por crimes relacionados ao Banco Ueno. Ele foi destituído do cargo na mesma sexta‑feira, após o Congresso aprovar por unanimidade seu impeachment. O Senado do Paraguai votou a favor do afastamento com 44 dos 45 senadores presentes, um dia depois de a Câmara de Deputados aprovar a medida. Peña havia anunciado, na rede X, que apresentaria defesa no processo, mas não compareceu à sessão do Senado.
Santiago Peña assumiu a presidência do Paraguai em 2023, ano em que o Ueno Bank passou de financeira a banco, ampliando sua atuação no mercado local. Até março de 2025, Peña era acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, e indicou Carlos Carvallo, então presidente do Ueno, para chefia do Banco Central do Paraguai. A oposição ao governo de Peña apontou possíveis conflitos de interesse, alegando que empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez teriam ultrapassado limites regulatórios e que mudanças na lei de conflitos de interesse favoreceram a concentração de recursos do Instituto de Previsão Social no banco.
A oposição ao ex-presidente acusou o governo de manipular regras e contar com acobertamento do Banco Central para viabilizar as operações do Ueno. Parlamentares afirmaram que o governo teria permitido a concentração de centenas de bilhões de guaranis do Instituto de Previsão Social no banco, gerando suspeitas de favorecimento. As críticas se intensificaram após a transferência para a base militar, que foi vista como tentativa de evitar um confronto direto entre manifestantes e as forças de segurança, ao mesmo tempo em que mantinha Peña sob custódia em local de alta segurança.
