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Nova Friburgo, a Suíça Brasileira que virou referência em moda íntima

A cidade da serra do Rio de Janeiro nasceu de uma colônia europeia autorizada pela Coroa e, depois do fechamento de indústrias na década de 1980, transformou sua experiência em costura em centenas de pequenos negócios de lingerie.
Imagem ilustrativa de Nova Friburgo, cidade da serra fluminense conhecida pela moda íntima

Nova Friburgo, na serra do Rio de Janeiro, começou como uma aposta da Coroa portuguesa em colonos europeus e, mais de um século e meio depois, encontrou na costura uma nova forma de prosperar. A trajetória do município combina imigração, crise industrial e recomeço, e hoje faz da cidade uma referência nacional em moda íntima. A história ajuda a entender por que a serra fluminense é conhecida pelo apelido de Suíça Brasileira.

Um decreto de 1818 deu origem à colônia

Tudo começou com um decreto. Em 1818, o rei Dom João VI autorizou o agente do cantão de Friburgo, na Suíça, a instalar uma colônia de cem famílias na antiga Fazenda do Morro Queimado. Depois de uma viagem longa e difícil, os colonos chegaram entre o fim de 1819 e o início de 1820 e batizaram o lugar com o nome da terra de origem.

A identidade europeia ganhou outra camada em 1824, quando chegaram imigrantes alemães que formaram a primeira comunidade luterana do Brasil. Em 2024, essa herança foi oficializada: por lei federal, a cidade passou a ser declarada Suíça Brasileira. O reconhecimento consolidou um apelido que já acompanhava o município havia gerações.

Da crise têxtil nasceu a vocação para a lingerie

Durante boa parte do século XX, a cidade viveu das grandes fábricas têxteis e metalúrgicas. No início da década de 1980, porém, o setor têxtil entrou em crise e muitas indústrias fecharam as portas, deixando muitos trabalhadores sem emprego. O cenário exigiu uma alternativa para a economia local.

Foi justamente dessa crise que surgiu a nova vocação. Ex-funcionários usaram o conhecimento acumulado nas fábricas para abrir pequenas confecções de moda íntima, que se multiplicaram pelos bairros de Olaria e pelo distrito de Conselheiro Paulino. Em 2024, a Lei federal 14.883 conferiu ao município o título de Capital Nacional da Moda Íntima, reconhecendo o peso dessa atividade na identidade da cidade.

Um lado rural além das lojas

A cidade guarda um lado rural que surpreende quem chega pelas lojas. A produção de flores de corte, legumes e frutas começou com os próprios imigrantes e ainda colore os distritos, em sítios e estufas espalhados pelas encostas. Essa atividade agrícola dialoga com a paisagem de montanhas e com o clima frio que marca a região.

A herança suíça também aparece em detalhes do dia a dia. A Queijaria Escola foi criada a partir de um convênio com a cidade de Friburgo, na Suíça, e a Praça das Colônias homenageia os povos que ajudaram a formar o município. São espaços que mantêm viva a memória da imigração entre as atividades econômicas atuais.

Como organizar a visita pelos distritos

O ideal, segundo o roteiro apresentado, é separar os dias por região. As lojas de moda íntima se concentram em Olaria e Conselheiro Paulino, enquanto Lumiar e São Pedro da Serra ficam mais afastados do centro e pedem carro e um dia inteiro para aproveitar cachoeiras e trilhas sem pressa. A divisão evita deslocamentos desnecessários entre o comércio e as áreas naturais.

A mala precisa considerar o frio de montanha, sobretudo entre junho e agosto, quando as noites esfriam e os festivais de inverno movimentam a cidade. No verão, a chuva aparece com muito mais frequência, e isso pesa na escolha da data para quem pretende explorar os distritos. Para os meses de maior volume de chuva, dezembro e janeiro aparecem com índices acima de 330 mm.

Uma cidade que aprendeu a se reinventar

A trajetória de Nova Friburgo mostra como uma comunidade fundada por imigrantes europeus conseguiu atravessar o fechamento de fábricas e transformar a perda de empregos em centenas de pequenos negócios. A herança suíça e a indústria de hoje, portanto, contam a mesma história de recomeço. Para quem visita a serra, o roteiro combina compras, paisagens montanhosas e a memória de uma cidade que se adaptou sem abrir mão das próprias raízes. Mais conteúdos estão disponíveis no portal Sem Censura.

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