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Projeto de Duda Salabert quer pagar almoço como tempo de trabalho

A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) apresentou um projeto de lei que propõe contabilizar o horário de almoço como parte da jornada de trabalho e remunerá-lo. O texto altera a CLT e a legislação do trabalho rural e ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.
Ilustração sobre horário de almoço e jornada de trabalho

A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) apresentou na quinta-feira (5) um projeto de lei que propõe considerar o horário de almoço como parte da jornada de trabalho e remunerado pelas empresas, com limite de duas horas diárias para o intervalo. A palavra-chave da proposta é a mudança de status do período de alimentação, que deixaria de ser tempo livre do trabalhador para virar tempo de serviço efetivo. O texto altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e também a legislação do trabalho rural, sem redução salarial.

O argumento da parlamentar

Na justificativa do projeto, Duda Salabert afirma que trabalhadores que cumprem oito horas diárias permanecem, na prática, nove horas vinculados ao emprego quando se considera o horário de almoço de uma hora. Segundo ela, esse período nem sempre representa tempo livre, já que muitos funcionários precisam permanecer no local de trabalho ou em suas proximidades. É esse o ponto central que embasa a proposta da deputada, que sustenta que muitos trabalhadores não têm, de fato, tempo livre durante a refeição.

O que muda na jornada

Caso aprovado, o projeto poderia reduzir a jornada efetivamente trabalhada para 35 horas semanais, considerando uma hora diária de almoço e o limite constitucional de 40 horas semanais previsto na transição para o fim da escala 6×1. A proposta também impede que acordos ou convenções coletivas retirem o direito à remuneração e à contabilização do intervalo. Ou seja, a negociação entre empresas e sindicatos não poderia suprimir essa previsão, segundo o texto apresentado.

Questionamentos e pontos de atenção

Chama atenção que o projeto não apresenta estimativa de impacto econômico, ou seja, o texto não informa quanto custaria às empresas a remuneração do intervalo. Esse é um dado relevante para quem emprega, sobretudo pequenos negócios, pois a conta de folha de pagamento tende a crescer quando um período antes não remunerado passa a ser pago. A ausência desse cálculo no texto inicial deixa a discussão sem parâmetros concretos sobre o efeito prático da medida.

Outro ponto que merece atenção é a possível divergência com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconhece a validade de negociações coletivas para flexibilizar determinados direitos trabalhistas. Ao vedar que acordos ou convenções coletivas alterem o tratamento do intervalo, o projeto de Duda Salabert entra em rota de colisão com essa jurisprudência, o que tende a alimentar debate jurídico caso a proposta avance. Para a deputada, a previsão busca proteger o trabalhador, mas o contraste com a posição do STF deve ser levado em conta na tramitação.

Próximos passos

O projeto ainda precisa passar pela tramitação na Câmara dos Deputados e pelo Senado antes de eventual sanção presidencial. Se for aprovado, deverá entrar em vigor seis meses após a publicação da lei, o que dá um intervalo para adaptação das empresas. Até lá, a proposta permanece apenas como iniciativa apresentada por uma parlamentar, sem qualquer efeito sobre as regras atuais de jornada. Acompanhe mais notícias no Sem Censura.

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