
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a Rede Globo nesta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, por exibir uma propaganda sobre a fome no país. Segundo o petista, a peça informa que 7 milhões de crianças passam fome no Brasil. Lula pediu que a entidade por trás do anúncio seja investigada, embora não tenha detalhado qual propaganda estava em questão. O caso ganhou repercussão por envolver uma campanha de grande alcance na televisão e a reação direta do chefe do Executivo.
As declarações foram feitas durante uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília. Ao comentar a cobertura da imprensa, Lula afirmou que a mídia brasileira «prefere criticar do que elogiar», acrescentando que não estava fazendo juízo de valor. Em seguida, relatou que, na véspera, estava em casa tomando uma sopa quando viu a propaganda na Globo e quase se engasgou. A fala foi dita em tom de crítica direta à emissora.
Lula defendeu que a peça seja apurada «para saber quem é essa entidade que a Globo está apoiando e quem está contando essa mentira». Ao mesmo tempo, o presidente não indicou qual anúncio exatamente motivou a reclamação nem qual entidade deveria ser investigada. Chama atenção que um pedido dessa natureza, feito pelo presidente da República contra uma campanha veiculada por uma emissora privada, tenha sido apresentado sem a identificação precisa do conteúdo questionado. A medida pedida por Lula é uma solicitação, e não uma decisão já tomada por algum órgão.
A Globo afirmou que a campanha é uma iniciativa do Pacto Contra a Fome, instituição social apoiada pela emissora desde 2023, assim como outras entidades que recebem espaço publicitário para ampliar temas de interesse público. Segundo a empresa, a peça foi produzida pelo Pacto e os dados apresentados têm como fonte a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), pesquisa oficial do IBGE. Em nota, o Pacto Contra a Fome declarou que sua missão é engajar a sociedade na erradicação da fome e na redução do desperdício.
De acordo com a entidade, o número de cerca de 7 milhões de brasileiros citado na campanha é uma aproximação baseada na estimativa da Pnad de 2024, que indicou quase 6,5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave no país. Ou seja, o próprio Pacto Contra a Fome usa a expressão insegurança alimentar grave para se referir ao dado da pesquisa, termo diferente da expressão passam fome usada na peça. Esse detalhe é relevante para o debate sobre a precisão da mensagem veiculada ao público. O roteiro da peça, por sua vez, traz a frase «7 milhões de brasileiros», com a menção de que muitas crianças têm o futuro ameaçado pela falta de alimentação.
Na mesma nota, o Pacto Contra a Fome afirmou reconhecer os avanços no combate à fome nos últimos anos, atribuídos a programas sociais e ações da sociedade civil, e defendeu a continuidade e a melhoria dessas políticas. A entidade disse acreditar na importância de que, um dia, nenhum brasileiro passe fome. O episódio coloca em evidência a disputa entre o governo federal e a imprensa sobre a forma como os dados sociais são apresentados ao público. Até o momento, o material disponível não traz nenhuma manifestação oficial de órgão de investigação sobre o pedido feito por Lula.
