
O Conselho do Ministério Público Federal (MPF) decidiu, por unanimidade, manter Gonet no caso Master. A votação terminou com placar de 3 a 0 e encerra, por ora, a discussão interna sobre a permanência do procurador-geral da República na condução do caso. O tema ganhou peso porque o próprio Gonet apresentou defesa ao colegiado e negou ter qualquer vínculo com Daniel Vorcaro.
Na defesa encaminhada ao Conselho, Gonet rejeitou a existência de relação com o empresário. A manifestação foi colocada diante dos conselheiros antes da decisão que o manteve no caso, o que reforça a importância de cada passo do processo para a credibilidade da instituição.
Paralelamente à votação, o Conselho do MPF decidiu apurar menções a Gonet em mensagens atribuídas a Vorcaro. Esse ponto é central para entender a controvérsia, já que a simples citação do nome do procurador-geral em conversas de um investigado levou a questionamentos sobre a distância que deve existir entre a cúpula do órgão e o caso.
Entre os elementos que circulam no processo, uma das notícias indica que o celular de Vorcaro tinha nomes de delegados da Polícia Federal e fazia referência a um 'G' do Banco Central. A Polícia Federal também investiga o acesso a dados sigilosos por um grupo ligado ao empresário. Até o momento, esses pontos seguem em apuração, e cabe às autoridades competentes esclarecê-los.
O debate ocorre em meio a uma mudança na composição do colegiado. O irmão de Flávio Dino assumiu a vice-presidência do Conselho do MPF, passo que passou a integrar o quadro de decisões do órgão enquanto o caso Master seguia em análise. A nomeação foi registrada como fato institucional, sem que haja, no material disponível, qualquer ligação direta com a decisão sobre Gonet.
Para o público que acompanha a atuação das instituições de controle, a sequência de fatos chama atenção: a permanência de um procurador-geral sob questionamento, a apuração de citações em mensagens de um investigado e a investigação paralela da Polícia Federal. Cada uma dessas frentes exige transparência para que a população entenda como o órgão trata situações que envolvem seus próprios integrantes. Acompanhe a cobertura completa no Sem Censura.
O Ministério Público Federal também tem outras frentes em andamento. A Justiça tornou réus 12 denunciados pela queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas. O órgão cobra R$ 541 milhões da Shell pelas enchentes no Rio Grande do Sul e, em conjunto com a Receita Federal, mira a dona da Betnacional por suspeita de crimes econômicos.
Uma empresa ligada à Betnacional movimentou mais de R$ 4 bilhões sem ter funcionários, segundo levantamento divulgado no mesmo período. Além disso, o MPF cobrou do Discord medidas para proteger menores na plataforma, e o Tribunal Superior Eleitoral proibiu Marçal de usar recursos públicos de campanha. São temas distintos, mas que reforçam a cobrança por rigor e resposta institucional.
Com a decisão do Conselho sobre Gonet no caso Master, a atenção se volta para a apuração das menções a Gonet nas mensagens atribuídas a Vorcaro e para os desdobramentos da investigação da Polícia Federal. O resultado dessas etapas definirá se o caso segue sem alterações na condução ou se novos questionamentos ganham força dentro e fora do órgão.
