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Fábrica em Minas já entregou mais de 700 blindados ao Exército

Produzido em Sete Lagoas, no interior de Minas Gerais, o blindado Guarani 6×6 se tornou uma das principais viaturas sobre rodas da tropa brasileira. Concebido em 2005, o projeto chegou a mais de 700 unidades, ganhou novas versões e alcançou o Exército das Filipinas.
Blindado Guarani 6×6 do Exército Brasileiro

Em Sete Lagoas, na região central de Minas Gerais, a Iveco Defence Vehicles (IDV) produz o blindado Guarani, uma viatura 6×6 que já soma mais de 700 unidades em operação no Exército Brasileiro. O veículo também foi vendido ao Exército das Filipinas, do outro lado do mundo, e mostra como uma fábrica instalada no interior mineiro passou a abastecer a tropa sobre rodas do país.

Duas décadas de programa até a marca de 700 viaturas

Segundo o Exército Brasileiro, o projeto foi concebido em 2005 e hoje conta com mais de 700 viaturas em brigadas de Infantaria e Cavalaria. A marca foi celebrada em novembro de 2025, nos 20 anos do programa, em cerimônia no Quartel-General do Exército, em Brasília. Na ocasião, o comandante da Força, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, resumiu o momento: “Estamos colhendo hoje o que foi plantado no passado”.

O Guarani integra o programa estratégico Forças Blindadas, gerenciado pelo Escritório de Projetos Estratégicos do Exército. Aos poucos, o blindado substitui os antigos Urutu e Cascavel nas unidades. A viatura também foi empregada na Operação Taquari II, no Rio Grande do Sul, em 2024, o que demonstra seu uso em operações reais dentro do território nacional.

Sete Lagoas também desenvolve novas versões

A unidade mineira não se limita à montagem do veículo. Em dezembro de 2024, a IDV firmou com o Centro Tecnológico do Exército um contrato de encomenda tecnológica para dois modelos sobre a plataforma 6×6: um posto de comando e uma ambulância, conforme comunicado oficial da empresa. A engenharia da fábrica de Sete Lagoas é responsável pelos protótipos, que devem ser entregues para avaliação no fim de 2026.

O acordo prevê pesquisa, integração de sistemas, produção de protótipos e transferência de tecnologia. Pelo Exército, a família do Guarani também deverá incluir configurações de porta-morteiro e de defesa antiaérea. Para Humberto Spinetti, executivo da IDV, a escolha da empresa levou à instalação de uma indústria de blindados no país, com transferência de conhecimento e geração de empregos.

Como o blindado chegou às Filipinas

O Exército filipino buscava blindados para transporte de tropas sobre rodas, e o veículo brasileiro chegou a Manila por meio de uma empresa israelense. Em fevereiro de 2021, a Elbit Systems anunciou um contrato de cerca de US$ 46 milhões para fornecer o VBTP 6×6 ao exército de um país da Ásia-Pacífico, com prazo de três anos. O comunicado não nomeou o cliente, mas o comprador é o Exército das Filipinas, que encomendou 28 unidades.

Como contratada principal, a Elbit instala torres, controle de tiro e sistemas de gestão de batalha. A base do veículo, com casco de blindagem e mecânica, sai da linha de produção de Sete Lagoas, e o projeto foi desenvolvido pela IDV em cooperação com o Exército brasileiro. Ou seja, a parte estrutural da viatura é fruto da engenharia nacional, mesmo quando o sistema final passa por outra empresa.

Embargo alemão expôs a dependência de componentes estrangeiros

A entrega às Filipinas enfrentou obstáculos. Em 2023, o controle de exportações da Alemanha barrou o envio, porque o veículo utiliza componentes de origem alemã. Os primeiros cinco blindados só foram apresentados pelo Exército filipino em março de 2024, na província de Tarlac. O episódio mostrou que a dependência de peças importadas se tornou um ponto sensível para a indústria de blindados brasileira.

Chama atenção que, mesmo com uma produção consolidada em Minas Gerais, a exportação ficou sujeita a decisões de governos estrangeiros sobre peças incorporadas ao projeto. Por isso, a meta oficial de aumentar o índice de nacionalização dos componentes ganha importância estratégica, tanto para reduzir riscos em futuros contratos quanto para dar mais autonomia à produção.

O que vem pela frente para o Guarani

O marco mais próximo é a entrega dos protótipos de posto de comando e de ambulância, prevista para o fim de 2026. Depois disso, os dois modelos passam pela avaliação do próprio Exército Brasileiro, responsável pelo programa e dono da demanda. No exterior, o comandante da Força declarou que o Guarani é um produto testado e aprovado, com potencial de exportação.

Daqui para frente, três frentes devem ser acompanhadas: a entrega dos protótipos, o avanço da nacionalização de peças e a possibilidade de novos pedidos de outros países. As informações oficiais sobre o programa são divulgadas pelo Exército Brasileiro, pelo Escritório de Projetos Estratégicos e pelos comunicados da IDV.

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